Universidades estaduais de SP ameaçam parar dia 10

As três universidades estaduais de São Paulo podem parar a partir do dia 10 de junho, por tempo indeterminado. A data foi definida nesta quarta-feira em reunião dos representantes dos sindicatos de professores e funcionários das instituições.A decisão foi tomada em virtude dos resultados das assembléias da categoria, feitas na semana passada, que rejeitaram o reajuste salarial de 8% proposto pelos reitores. Trabalhadores da Universidade de São Paulo (USP), Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) e Universidade Estadual Paulista (Unesp) insistem em um aumento de 9,68%.As reivindicações incluem ainda uma garantia de que em setembro, seriam concedidos mais reajustes, chegando a 16%. "Isso é impossível", disse o reitor da Unesp e presidente do conselho de reitores, José Carlos de Souza Trindade. Ele não havia sido informado da decisão dos sindicatos.A possibilidade de greve será votada em assembléias de professores e funcionários, na próxima semana. Mas, segundo os dirigentes, é difícil não ser aprovada. "As pessoas estão muito mobilizadas para a paralisação", disse o diretor do Sindicato dos Trabalhadores da USP (Sintusp), Alexandre Parriol Filho.Algumas unidades da Unesp já haviam decidido parar na segunda-feira. "Notamos pelas assembléias que a mobilização está clara em muitos lugares", disse o presidente da Associação dos Docentes da USP (Adusp) Ciro Correia.Apesar disso, a Adusp foi a única entidade que havia aceitado os 8%, desde que a negociação continuasse no segundo semestre. O reitor da Unesp garante que foi oferecido o máximo de reajuste possível e que não há mais o que discutir a esse respeito. "Não podemos dar um aumento que deixe 90% do orçamento comprometidos com a folha de pagamentos." Segundo ele, se isso ocorresse não haveria condições de discutir outras reivindicações dos próprios sindicatos, como contratação de professores. "É uma contradição."A discussão em torno dos 8% ou 9,68% ocorre porque os sindicatos levam em conta resultados do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Sócio-Econômicos (Dieese) que apontou aumento de 9,42% no Índice de Custo de Vida em 2001. Os reitores consideram a análise da Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas (Fipe) que apurou alta do Índice de Preços ao Consumidor de 7,13%.

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