Universidades do Rio terão cota para negros em vestibular

Já está em vigor a lei que destina 40% das vagas de universidades estaduais para estudantes negros e pardos, segundo decreto do governador do Rio, Anthony Garotinho, publicado nesta terça-feira no Diário Oficial do Estado. De acordo com a legislação, primeiro serão preenchidas as vagas reservadas para estudantes da rede pública, que já têm direito à metade das cadeiras.Estima-se que 30% desses alunos já sejam negros ou pardos. A lei vai garantir o ingresso de mais candidatos negros até que se chegue à cota mínima estipulada pelo decreto. Os estudantes terão de se autodeclarar negros ou pardos para terem direito ao benefício.A pergunta sobre a cor dos vestibulandos havia sido excluída dos questionários de admissão dos exames, há muitos anos, por ter sido considerada de teor racista. Agora a questão volta ao relatório preenchido pelos candidatos, mas deve ser respondida espontaneamente.Numa pesquisa realizada pelo Programa de Políticas da Cor, da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (Uerj), ano passado, somente 24% entre 2.328 alunos se reconheceram como negros ou pardos. O curso de Direito é o que concentra a maior quantidade de brancos, 86,2%, seguido de Odontologia (86,1%) e Medicina (84,7%).EquilíbrioA situação de negros e brancos torna-se um pouco mais equilibrada nos cursos de Ciências Sociais, onde 40,6% dos alunos são negros, Pedagogia (36,8%) e Serviço Social (34,7%).O secretário de Estado de Ciência e Tecnologia, Wanderley de Souza, disse que poucas serão as vagas destinadas somente para negros e pardos. "Projeções dos técnicos informam que de 100 vagas de um curso, ocupadas por metade dos alunos da escola pública, já teremos de 30 a 40 alunos negros e pardos."Ele nega que a qualidade de ensino vá cair. "Serão os melhores alunos da escola pública. O sistema de vestibular deixa muita gente boa do lado de fora da escola. Mas precisamos experimentar", defendeu.Souza disse que o Estado pode adotar "mecanismos paralelos de compensação" caso a defasagem entre os alunos seja grande. "Leis de políticas afirmativas causam certa polêmica", reconheceu o pró-reitor de graduação da Universidade Estadual do Norte Fluminense (Uenf), Marcelo Shoey, que fez parte do grupo que discutiu a regulamentação da lei.Shoey, no entanto, considera a medida necessária para corrigir distorções em cursos como Direito, Medicina e Odontologia, em que há poucos alunos negros e pardos inscritos. Já o pró-reitor de pós-graduação da Uenf, Carlos Eduardo de Rezende, discorda do colega. "A reserva de vagas é inconstitucional, e não é o meio mais adequado para garantir acesso ao ensino superior", disse em entrevista ao Estado em novembro, quando a lei foi sancionada.Ontem, ele preferiu não comentar o assunto. Até o fim da tarde, a reitoria da Uerj também não havia se pronunciado.

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