Universidade Mackenzie suspende aluno após vídeo que incita violência e racismo

Estudante do 5º ano de Direito vestia camisa com o rosto de Bolsonaro e publicou material com uma arma na mão dizendo que mataria 'vagabundos com camiseta vermelha' e a 'negraiada'

Renata Cafardo, O Estado de S.Paulo

30 Outubro 2018 | 20h02

A reitoria da Universidade Mackenzie suspendeu o aluno do 5º ano de Direito que publicou vídeos nas redes sociais com uma arma na mão, dizendo que mataria “vagabundos com camiseta vermelha” e a “negraiada”. O escritório de advocacia em que Pedro Baleotti trabalhava como estagiário o dispensou na segunda-feira, 29. Um protesto estava marcado às 19 horas desta terça-feira, 30, na frente do Mackenzie contra o racismo.

Em nota, o reitor do Mackenzie, Benedito G. Aguiar Netor, disse que o vídeo do aluno incita a violência, tem ameaças e manifestações racistas, e que “tais opiniões e atitudes são veementemente repudiadas” pela instituição. Em um deles, o estudante está com uma arma sem munição e puxa o gatilho. No outro, ele está dirigindo, vestindo uma camisa com o rosto do presidente eleito Jair Bolsonaro (PSL), e diz que está “louco para ver um vadio, vagabundo de camiseta vermelha e já matar logo.”

“Queremos impedir que ele se forme, só falta mais um mês para isso. O nosso medo é que ele se torne um jurista um dia”, diz a presidente do Diretório Central Estudantil (DCE) do Mackenzie, Gabriella Cardoso. Uma manifestação pedindo a expulsão do aluno já foi feita por estudantes mais cedo e uma outra deve ocorrer. Gabriella também é estudante de Direito e tem amigos em comum com Pedro. Segundo ela, o DCE também cobra da universidade “posicionamentos mais fortes contra o fascismo e o racismo”. O Estado pediu entrevista ao reitor do Mackenzie, mas a assessoria informou que ele estava em um evento e não poderia atender a reportagem.

O DDASA, onde Baleotti fazia estágio, enviou nota dizendo que “repudia veementemente qualquer manifestação que viole direitos e garantias estabelecidos pelas Constituição”. O estudante trabalhava há quatro meses no local e foi dispensado ontem após os sócios terem conhecimento dos vídeos.

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