Universidade Federal de Minas suspende pagamentos

A Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) informou nesta quarta-feira que decidiu suspender, até o final do ano, "em caráter emergencial", o pagamento a empresas fornecedoras de alguns serviços essenciais. A UFMG possui um déficit financeiro calculado em R$ 2,2 milhões no orçamento deste ano, valor aproximado dos cortes. A suspensão do pagamento foi aprovada por unanimidade pelo Conselho Universitário.Segundo a reitora Ana Lúcia Almeida Gazzola, a despesa prevista da universidade em 2002 é de R$ 7,9 milhões. O órgão colegiado da UFMG decidiu suspender, imediatamente, o pagamento das contas de telefone, energia elétrica e água, que até o final do ano somam cerca de R $ 1,4 milhão. A universidade informou que deixará de pagar um débito de R $ 50 mil com a Imprensa Nacional e irá cancelar um repasse de R$ 750 mil à Fundação Universitária Mendes Pimentel.Além da previsão orçamentária de R$ 5,7 milhões, ela cobra o repasse de R$ 4,3 milhões correspondente à chamada Emenda Andifes e o remanejamento de R$ 1,4 milhão referente a um saldo da cobrança de vales-transporte a que a universidade teria direito.De acordo com os cálculos, a soma de recursos que a UFMG teria de receber até o final do ano é de R$ 11,4 milhões. "Não quero socorro. Quero que me paguem o que o Congresso Nacional mandou pagar. Eu quero que o governo honre aquilo que ele mesmo encaminhou ao Congresso", disse. "Não resta à universidade outro recurso senão cancelar alguns pagamentos a fim de que possa continuar funcionando até o encerramento do exercício". De acordo com a UFMG, as empresas fornecedoras já foram comunicadas da decisão.A Companhia Energética de Minas Gerais (Cemig) disse, por meio da assessoria, que irá negociar a dívida com a universidade. A Telemar informou, também por meio da assessoria, que não recebeu comunicação oficial da decisão. A Companhia de Saneamento de Minas (Copasa) não informou se foi ou não comunicada da decisão e qual será o procedimento.HospitalO Hospital das Clínicas (HC) de Belo Horizonte é o reflexo mais dramático da crise orçamentária da UFMG, na opinião da reitora. O déficit mensal do hospital é de R$ 600 mil, em média. Hoje, o diretor-geral do HC, Ricardo Castanheira Pimenta Figueiredo, admitiu que se não houver um aporte de recursos até o final deste mês, poderá haver redução de atendimento a partir de dezembro. O hospital é o único da rede pública do Estado que atende casos de alta complexidade e possui uma dívida de R$ 4 milhões.A reitora informou que a universidade decidiu reduzir, a partir do próximo mês em 20% a compra de medicamentos e em 15% a aquisição de material médico e hospitalar. O direto do hospital não descartou a possibilidade de que a redução atinja o serviço de emergência, o que, na opinião da reitora, seria "uma calamidade".De acordo com a assessoria do HC, o hospital espera receber nos próximos dias cerca de R$ 413 mil do Ministério da Saúde, mas reivindica ainda outros R$ 524 mil. A diretoria cobra também um repasse de R$ 750 mil da Secretaria de Estado da Saúde e solicitou um empréstimo de R$ 700 mil da Secretaria Municipal da Saúde, mas ainda não obteve resposta.

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