Universidade do Rio terá centro de pesquisa clínica

A Universidade Federal Fluminense (UFF), em Niterói, no Grande Rio, inaugura hoje o primeiro centro de pesquisa clínica de análise e produção de novos medicamentos genéricos no Estado, autorizado pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa). O centro verificará a equivalência em eficácia entre genéricos e os chamados remédios de marca, já existentes no mercado. A longo prazo, o centro também poderá fazer ensaios clínicos de toxicologia e alergenicidade de alimentos transgênicos.Atualmente, todo o medicamento genérico precisa passar pela análise de um laboratório credenciado pela Anvisa. Anteriormente, esta análise era feita no país de origem da indústria farmacêutica. O centro de pesquisa clínica da UFF, que funcionará no Hospital Universitário Antônio Pedro, custou R$ 1 milhão e demorou nove meses para ser construído.A unidade terá capacidade para 14 leitos e os testes com os novos genéricos serão feitos em voluntários sadios. Segundo o coordenador do centro, o biólogo Luiz Querino de Araújo, a capacidade de produção será de 12 genéricos por ano, mas a intenção é chegar, em 2003, a 20 remédios. "Hoje, a transformação de um medicamento similar em genérico custa entre US$ 40 mil e US$ 60 mil. A de um remédio novo pode chegar a US$ 120 mil", explicou.Cerca de 10 indústrias químicas já se mostraram interessadas em contratar os serviços do centro, assim como o Instituto Vital Brasil, também em Niterói, ligado ao governo do Estado. O biólogo contou que em agosto do ano passado, o Vital Brasil entrou em contato com o Hospital Antônio Pedro mostrando-se interessado em produzir 40 novos tipos de genéricos.TransgênicosA Empresa Brasileira de Pesquisas Agropecuárias (Embrapa) também está querendo realizar uma parceria com o centro de pesquisa clínica da UFF para a realização de estudos controlados de alimentos geneticamente modificados. "Para atender a esse convênio teremos que duplicar a nossa capacidade de leitos", explicou Araújo. O custo da ampliação sairia por R$ 1 milhão, que poderão ser financiados pelo Ministério da Ciência e Tecnologia.Hoje, a legislação brasileira proíbe a comercialização de alimentos transgênicos, mas, segundo a pesquisadora Marília Nutti, da Embrapa em Barra de Guaratiba, zona oeste do Rio, o projeto é fundamental para que o País possa dominar totalmente a biotecnologia em segurança alimentar. A toxicidade, análise das toxinas em produtos geneticamente modificados, já é feita em laboratórios nacionais. A novidade está no estudo clínico da alergenicidade do transgênico, a capacidade de reação alérgica que ele poderá produzir no consumidor. No mundo, apenas Holanda e Estados Unidos têm laboratórios que dominam essa tecnologia.

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