Universidade de NY pesquisa uso de drogas

As novas drogas sintéticas que vêm sendo usadas por jovens das grandes metrópoles (ecstasy, ketamina e ghb) em festas ?raves? (que duram toda a noite) são tão prejudiciais quanto as tradicionais (álcool, nicotina, cocaína etc), mas as pesquisas sobre elas ainda são recentes, e as terapias para os dependentes exigem novas práticas.Este foi o tema da palestra realizada, nesta sexta-feira, pelo psiquiatra Petros Levounis, do Centro de Pesquisa de Vícios da Universidade de Nova York, pioneira no estudo da dependência química.?Temos a idéia de que a droga é usada para escape, mas, na verdade, estas sintéticas são consumidas como forma de aproximação. Adolescentes e homossexuais masculinos, com bom poder aquisitivo, as consomem para fazer parte do grupo. Tanto que o primeiro nome comercial do ecstasy, a mais antiga, dos anos 70, foi empathy (empatia)?, disse Levounis.?É um fato recente, e não sabemos ainda quanto se consome, se elas substituem as antigas e que novas drogas estão surgindo. Para estudá-las, vamos às festas em Nova York, Los Angeles e outros grandes centros e fazemos questionários com as pessoas.?Segundo o psiquiatra, os estudos focam ecstasy, ketamina (um anestésico veterinário) e ghb (gama-hidrox-butirato, usada para aumentar a massa muscular) por serem mais consumidas, de acordo com as pesquisas.?As duas primeiras dão sensação de plenitude, empatia com outras pessoas e potência sexual, embora causem impotência, de imediato. A logo prazo trazem depressão, ansiedade e mesmo síndrome de pânico?, explicou.?Já o ghb, aumenta realmente a potência sexual e não causa ressaca ou outros efeitos colaterais, mas pode ser fatal se consumida em excesso. O problema é que a dose suportável varia de consumidor para consumidor, e a dose abaixo da necessária não causa efeito nenhum, ou seja, um erro mínimo é letal.?Levounis disse ainda que o consumo varia de acordo com a idade. ?Adolescentes usam tudo que lhes oferecem, enquanto homossexuais tendem a ser mais sofisticados, elegem uma droga, mas a usam em grandes quantidades?, explicou.A terapia também muda de foco. ?Antes tentávamos mostrar só o lado ruim e éramos pouco ouvidos. Agora, abordamos os dois lados, o agradável imediato e os efeitos a longo prazo, para que o consumidor possa tomar a decisão, geralmente tendendo a evitá-la.?O psiquiatra disse ainda que não tem dados do consumo fora dos Estados Unidos, mas a Universidade de Nova York começa a manter contato com centros de estudo de outras metrópoles, para troca de informações e atuação conjunta.

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