''Unir o partido é tarefa do candidato''

Para ele, direção nacional cumpriu seu papel e evitou o racha em São Paulo, e agora cabe à campanha administrar resistências

Christiane Samarco, O Estadao de S.Paulo

24 de junho de 2008 | 00h00

O presidente nacional do PSDB, senador Sérgio Guerra (PE), lança um raciocínio utilitário para apostar na capacidade de Geraldo Alckmin atrair os dissidentes do partido na disputa pela Prefeitura de São Paulo. Segundo o senador, os vereadores, que se perfilaram em favor do prefeito Gilberto Kassab (DEM), vão depender do sucesso eleitoral do ex-governador para se eleger em outubro. Em uma eleição municipal competitiva, o voto na legenda - no número do partido, cujo maior responsável é o candidato a prefeito - soma-se aos votos nominais."Será bom para todo mundo", diz Guerra, que há quatro meses previu o racha. "Não trabalhei com a hipótese de disputa, porque seria a marcha da insensatez, em que todos perderiam. Não haveria vencedor", afirma o senador, em entrevista ao Estado.Dez vereadores não foram à convenção que confirmou a indicação de Alckmin... Não é um sinal de que o PSDB, com dissidências tão prematuras, vai morrer na praia nesta campanha?Tudo tem o seu tempo. A primeira decisão era de o partido ter ou não ter candidato. Essa etapa foi vencida e hoje temos candidato. Um bom candidato para vencer a eleição.Mas essas resistências internas não podem acabar por isolar o candidato Alckmin, deixando-o só na campanha? A direção nacional cumpriu seu papel. O Diretório Municipal é que cuida da organização da campanha municipal. Unir o partido é tarefa da Executiva Municipal e do candidato. Agora, esta é também uma eleição proporcional que depende, em certa medida, do desempenho do candidato a prefeito. O 45 (que identifica os tucanos) é importante em razão do peso do voto de legenda para a eleição de vereadores. O bom desempenho do candidato Geraldo Alckmin fixa o número 45 e é fundamental para todo mundo.Mas o confronto nas fileiras do PSDB se radicalizou tanto na semana passada, que nenhum dos lados acreditava mais em composição.Havia uma obviedade no cenário: a manutenção do confronto não servia a ninguém. Exportaria para o plano nacional dificuldades muito graves que existiam em São Paulo e não produziria solução. Mas houve um momento em que o governador José Serra cogitou nem aparecer na convenção. Foi preciso convencê-lo do risco de Alckmin não ser eleito para que ele atuasse?A disposição de Serra sempre foi de comparecer. Ele não compareceria, se a convenção consumasse a crise e a desordem. Esse não era uma questão de disputa, mas de desordem, inclusive com questionamentos legais que poderiam resultar na anulação da convenção. Havia o entendimento de que a derrota de Alckmin na convenção seria o fim da candidatura Serra à Presidência, em 2010...A derrota de Geraldo, evidentemente, nacionalizaria a questão, até porque resolução do partido prevê que a Executiva Nacional seja ouvida em caso de coligação e, do ponto de vista nacional, é claro que a opção seria por um candidato do partido. Isto fraturaria o PSDB local, que é a base mais importante do partido, e a divisão teria péssima repercussão a nível nacional.Quem é: Sérgio GuerraAntes de ser senador, foi deputado estadual em Pernambuco e deputadofederal por três mandatosFormou-se em Economia na UFPE e em Economia Internacional em Harvard

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