Unifesp promove pesquisa para tratar alcoolismo

Como parte de sua tese de doutorado, o médico psiquiatra Luís André Castro, da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp/EPM) está tocando uma pesquisa sobre a eficácia da naltrexona no tratamento da dependência leve de álcool. A substância é o princípio ativo do medicamento Revia, comercializado no Brasil pelo laboratório Cristália. Segundo o médico, essa substância já foi aprovada pela Food and Drug Administration (FDA), organização norte-americana que corresponde à Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), para tratar tanto dependentes de álcool como de opióides, segmento onde se encaixa a heroína. "O que queremos avaliar, na verdade, é a eficácia dessa droga aliada uma intervenção breve no sistema básico de saúde", comenta.A idéia do psiquiatra é que a droga, que atualmente é prescrita quase que exclusivamente em clínicas e centros médicos especializados em toxicologia, seja indicada por médicos que atuem no sistema básico de saúde e que, nesses pontos de atendimento, os pacientes recebam uma espécie de tratamento psicológico, chamado de "atendimento breve"."Esse atendimento não dura mais de 15 minutos, mas tem se mostrado eficiente para reforçar a necessidade da mudança de comportamento para conseguir abster-se do álcool", explica Castro.Segundo o psiquiatra, no mercado brasileiro há apenas dois medicamentos que, como o Revia, são indicados para tratar o alcoolismo. O foco no medicamento da Cristália, cuja patente mundial pertence à DuPont, se deu por conta das características mais modernas que ele apresenta sobre os seus concorrentes. "Para se ter uma idéia, o Disulsiram, também usado nesse tipo de tratamento, existe há mais de 50 anos", aponta Castro.Por enquanto, a única desvantagem que se conhece do tratamento é o preço elevado. Uma caixa do Revia custa, em média, R$ 100 e dura apenas um mês.O Departamento de Psiquiatria da Unifesp ainda está aceitando voluntários interessados em participar da pesquisa. Os interessados devem ligar para (11) 5575-1708 e agendar uma consulta para a triagem de dependentes de álcool.

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