?Único problema do PMDB é Sarney?, diz Moreira Franco

A disputa pela presidência do Senado já começou a rachar o PMDB. O deputado eleito Moreira Franco criticou o senador José Sarney, que manifestou disposição de concorrer ao cargo, desde que tenha apoio de "congregação de forças" em torno de seu nome. "O grande e único problema que temos hoje no PMDB é o Sarney. E ele não é do PMDB, apenas está no PMDB", afirmou Moreira, ao contestar a candidatura de Sarney para a presidência do Senado. Num eventual acordo com o PT, o PMDB reivindicará a manutenção do comando do Senado, presidido pelo senador reeleito Ramez Tebet (PMDB-MS). Além de Sarney, o cargo é cobiçado dentro do PMDB também por Renan Calheiros (AL) que, ao contrário de Sarney, tem o apoio da cúpula do partido. Para Moreira, Sarney só apoiou a candidatura do petista Luiz Inácio Lula da Silva por uma questão pessoal, em conseqüência das divergências entre a ex-governadora Roseana Sarney e José Serra durante a corrida presidencial. "Sarney sempre foi governo. Ele só não foi governo durante o Estado Novo", ironizou Moreira. GovernabilidadeIntegrante da cúpula do PMDB, que controla 70% do partido, Moreira Franco nega conversas entre seu partido e o PT com vistas à participação de peemedebistas em um eventual governo Lula. Ele defende que o PMDB faça oposição responsável para garantir a governabilidade que, na sua opinião, significa "tranquilidade institucional". "Temos que respeitar as urnas e, se Serra perder, seremos oposição e não governo", acrescentou. Quanto aos 30% do PMDB que ficaram contra a candidatura de Serra e fazem oposição à cúpula, Moreira Franco lembra que muitos foram derrotados, ou seja, terão papel limitado nas negociações políticas a serem feitas no Congresso. No entanto, esse grupo teria espaço assegurado num governo Lula por serem seus aliados de primeira hora. Para conseguir, portanto, o apoio da maioria peemedebista e fortalecer sua base de sustentação no Congresso (o PT e outros partidos de esquerda têm 130 deputados), o PT teria de abrir negociações com a cúpula, atuando institucionalmente.Essa foi a decisão tomada ontem no PMDB, pois os dirigentes peemedebistas temem que ações isoladas sirvam para aumentar as dificuldades internas, colocando em risco o controle do partido, exercido hoje pelo deputado Michel Temer (SP). No próprio comando do PMDB especula-se que alguns de seus integrantes estariam dispostos a ficar com Lula, como o senador Sergio Machado, candidato derrotado ao governo do Ceará pelo PMDB, e o deputado Eunício Oliveira. Ambos apoiaram o candidato do PT ao governo do Ceará, José Airton, no segundo turno. O PT também apoiou o candidato do PMDB ao governo de Santa Catarina, Luiz Henrique, um político influente na cúpula.

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