''''Único plano é construir um candidato do PT''''

Entrevistas[br]Ricardo Berzoini: presidente do PT[br]Deputado garante que militância petista não cogita hipótese de apoiar candidatura a presidente de outro partido em 2010

Clarissa Oliveira, O Estadao de S.Paulo

01 de dezembro de 2007 | 00h00

Empenhado em obter mais um mandato, o atual presidente do PT, deputado Ricardo Berzoini, diz que o partido não trabalha com a possibilidade de não ter candidato a presidente em 2010. Para ele, a militância petista não cogita a hipótese.Qual deve ser a prioridade da nova direção do PT?Continuar o processo de coesão do partido. A nova direção vai liderar o PT até 2009, portanto será decisiva para conduzir o PT tanto no aspecto institucional, quanto no de mobilização, para chegar em 2010 forte o bastante para liderar a sucessão do presidente Lula.Com a cabeça da chapa?É o ideal. Com todo respeito aos partidos da base, depois de governar o País por 8 anos - obviamente com os demais partidos -, com posição de liderança, governando 5 Estados e com a maior votação na Câmara, o PT trabalha com a lógica de que terá candidato e, na minha opinião, terá. Acho que a militância não cogita em hipótese alguma qualquer outro processo. Mas o presidente Lula diz que o nome pode vir de outro partido.A hipótese de o PT apoiar outra candidatura, por mais respeitável que seja, é extremamente minoritária. É legítimo os partidos prepararem suas candidaturas. Quando afunilar em 2010 faremos um diálogo para ver o que é melhor para o Brasil e a esquerda. Como eu dizia quando o Lula falava que poderia não ser candidato em 2006, não há plano B. O único plano é construir a candidatura do PT.Seus adversários se queixam do relacionamento do PT com o governo. O sr. pretende mudar isso?Esta é uma crítica injusta. Em vários momentos o PT produziu resoluções e fez movimentos que eram de clara independência, do ponto de vista partidário, em relação à orientação de governo. Obviamente, com inteligência. O PT não pode correr o risco de passar à sociedade que não é solidário, leal e apoiador do governo.O sr. assumiu o PT com a tarefa de superar o mensalão. Isso ocorreu?O que vimos em 2005 foi o aproveitamento político de algo presente na política brasileira. Essa denúncia em relação ao ex-governador (Eduardo) Azeredo mostra isso. Todo mundo que até 2004 se envolveu com campanhas eleitorais majoritárias correu o risco de deixar situações como essa expostas à opinião pública. Não acho que a crise que atingiu o PT em 2005 e atinge o PSDB em 2007 esteja superada. Está no imaginário popular.A solução é a reforma política? Não quero ser falso. A reforma é um grande avanço, se incorporar voto em lista e financiamento público. Mas não impedirá tudo.

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