Único não-reeleito culpa força do rival

Derrotado por Amazonino, Serafim se queixa ainda de revoada de aliados

Liege Albuquerque, O Estadao de S.Paulo

28 de outubro de 2008 | 00h00

Serafim Corrêa (PSB) foi o único prefeito de capital do País entre os 20 que tentaram a reeleição a fracassar na empreitada. A principal causa, segundo explicação do próprio prefeito e de seus aliados, é a força do adversário - Amazonino Mendes (PTB), três vezes governador do Estado, duas prefeito da capital e senador.A tese também se pendura em justificativas como revoada de aliados para candidaturas próprias ou para outras coligações e uma fraca publicidade das ações da prefeitura, só iniciada há seis meses."Serafim fez e muito, mas errou na sisudez de um governo sem gastos em marketing", lamentou o senador Arthur Virgílio (PSDB), seu aliado. "Teve quase metade dos votos da cidade, foi um vitorioso que não teve a prefeitura reprovada."Virgílio e o ex-deputado Pauderney Avelino (DEM) foram lembrados por Serafim como seus "grandes aliados" no esforço de levá-lo à disputa do segundo turno. Na primeira etapa, todas as pesquisas apontavam o vice-governador Omar Aziz (PMN) como o adversário de Amazonino no confronto decisivo. Serafim conseguiu evitar o vexame e passar ao jogo final, mas faltou fôlego para derrotar Amazonino. Para Virgílio, contudo, não dá para comparar o cenário de Manaus ao das outras capitais. "Em todas as cidades era no estilo de Porto Alegre, um sólido José Fogaça (PMDB) contra uma quase desconhecida Maria do Rosário (PT)", destacou o senador. "Houve um recall de eleitores de Amazonino, frustrados nas duas últimas eleições, para governo e prefeitura", completou Serafim.Para o vice-prefeito e vereador eleito Mário Frota (PDT), a pouca publicidade de Serafim esbarrou ainda em um secretariado "mais técnico que político", que propiciou trapalhadas. "Nas vésperas da eleição de segundo turno, a secretária de Meio Ambiente estava fazendo seus atos desastrosos, como tirar moradores da beira de igarapé sem terem para onde ir." A reportagem procurou a secretária Luciana Valente, mas não obteve resposta.Outra razão apontada para a derrota foi o fato de partidos como PT, PC do B e PL debandarem da administração para apoiar outros candidatos ou sair com candidatura própria nesta eleição. "Um dia disse a Serafim, vendo o palanque lotado do outro candidato, que nós (o prefeito, o DEM e o PSDB) cabíamos em uma van, nem precisa de microônibus", contou Virgílio.O prefeito lamentou ainda não ter recebido o apoio do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. "Fiquei magoado, porque sempre apoiei o presidente Lula em todas as suas derrotas ou vitórias", afirmou o prefeito. Lula manteve neutralidade em Manaus. Segundo Serafim, a prefeitura agora está "de portas abertas" à transição. "Tiro férias em janeiro e só depois penso em futuro político. A certeza é que quem ganha governa e quem perde fiscaliza."Para ele, um fato a ser comemorado é que agora o Amazonas tem dois e não apenas um grupo político, como era nos 20 anos antes de sua eleição. "Temos o nosso, com o PSDB e DEM, e o de Amazonino, com o governador Eduardo Braga (PMDB) e Alfredo Nascimento (PL)", destacou Serafim.

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