Unicamp testa adoçante 1.400 vezes mais doce do que açúcar

Um novo adoçante sintético, 1.400 vezes mais doce do que o açúcar e sete vezes o aspartame, está sendo testado no Departamento de Química Orgânica da Universidade Estadual de Campinas. A capacidade adoçante da substância, derivada de uma combinação de 12 aminoácidos, foi comprovada. Agora, os testes irão avaliar se há riscos toxicológicos. "As expectativas são boas, mas ainda não é possível antecipar resultado porque não há precedentes", disse o coordenador da pesquisa, Fernando Coelho.De acordo com ele, as análises serão concluídas em dois anos quando, se não for constatada restrição toxicológica, o produto poderá ser comercializado. O novo adoçante é o segundo composto por aminoácidos. O aspartame, considerado padrão de segurança no segmento de adoçantes, surgiu a partir da combinação de dois aminoácidos. Outros adoçantes disponíveis no mercado, como a sacarina, são alvos de relatos que os apontam como substâncias tóxicas, disse Coelho.O novo adoçante, disse Coelho, tem elevada estabilidade a diferentes temperaturas (o aspartame pode se deteriorar se cozido), pode ser utilizado em produtos com gás carbônico (refrigerantes), não deixa resíduos no paladar e não mascara sabor nem odor. As pesquisas na Unicamp partiram de uma descoberta de cientistas sul-africanos, que conseguiram isolar, em 1992, um grupo de aminoácidos da raiz da planta Schlerochilon ilicifolius, conhecida na África como Monat, e comprovaram o alto teor de doçura da substância isolada, batizada de monatina.

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