Unica pede apoio de Lula para votar Código Florestal

Apesar dos vários elogios do presidente da União da Indústria de Cana-de-açúcar (Unica), Marcos Jank, ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva pelo apoio ao setor sucroalcooleiro, o executivo reservou parte do seu discurso, em evento do setor hoje em Ribeirão Preto (SP), para cobrar solução às polêmicas mudanças no Código Florestal Brasileiro. Jank pediu a interferência de Lula junto a deputados e senadores para que o relatório da comissão que analisou alterações no código seja votado antes da posse da presidente eleita, Dilma Rousseff (PT).

GUSTAVO PORTO, Agência Estado

23 de novembro de 2010 | 14h06

"Mudanças devem ser feitas no Congresso (Câmara) e no Senado, mas não podemos voltar à estaca zero com um novo governo", disse o executivo. Para ele, é preciso "urgentemente uma solução definitiva para o impasse da reserva legal, que ameaça milhares de hectares de cana", disse, numa referência à punição prevista no Código Florestal aos agricultores que possuem áreas com menor porcentual de matas e florestas.

O relatório do deputado Aldo Rebello (PCdoB-SP), defendido pela bancada ruralista, prevê, entre outras mudanças, anistia parcial a agricultores. "A votação do relatório do deputado Aldo Rebello ainda este ano na Câmara é imprescindível, especialmente porque o assunto foi exaustivamente debatido; os conflitos decorrentes da aplicação do Código geram insegurança", completou.

Ao lado de Lula, Jank participou hoje do evento que marcou o início das obras do alcoolduto da PMCC, em Ribeirão Preto (SP), cerimônia na qual foi assinado ainda um plano para a capacitação de até 25 mil trabalhadores da cana-de-açúcar, principalmente os cortadores que perderão empregos com o avanço da mecanização na cultura.

Feraesp

No evento, Jank foi sucedido pelo pronunciamento do presidente da Federação dos Trabalhadores Assalariados do Estado de São Paulo (Feraesp), Elio Neves, que cobrou a distribuição de riqueza do setor sucroalcooleiro. "Sem a luz do sol e sem os trabalhadores não haverá etanol para tocar o alcoolduto; precisamos do álcool abastecendo os carros, mas precisamos abastecer também a mesa de comida dos trabalhadores e essa questão não foi resolvida", disse Neves. "Vamos incorporar a alimentação, a saúde, educação e a participação efetiva dos trabalhadores nessa riqueza", concluiu.

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