Única candidata, petista vira alvo

No governo FHC, dois ministros chegaram a disputar os holofotes

Felipe Recondo, O Estadao de S.Paulo

09 de março de 2009 | 00h00

A pré-candidatura única no governo da ministra Dilma Rousseff às eleições presidenciais de 2010 livra o presidente Lula de dividir seu apoio, mas torna transparente qualquer ação do governo destinada a beneficiá-la eleitoralmente. Como Dilma é hoje a única ministra exposta pelo presidente como pré-candidata, todos os holofotes no governo se voltam para ela. Com as luzes, carrega junto toda a atenção da oposição.Nos últimos anos do governo Fernando Henrique Cardoso, as articulações no governo para a escolha de um candidato único impediram que um ministro fosse escolhido com tanta antecedência para ser trabalhado para as eleições presidenciais seguintes.Naquela época, pelo menos dois integrantes do governo tinham pretensões eleitorais explícitas: José Serra, da Saúde, e Paulo Renato, da Educação. A divisão de forças obrigou o governo a partilhar, por exemplo, os recursos destinados a programas sociais. Os dois dividiram, por consequência, a publicidade espontânea que inaugurações, viagens e eventos públicos geram para o pré-candidato que ainda está no governo.Mesmo com essa dificuldade, o governo foi acusado, principalmente pelo PT, de tentar antecipar a campanha eleitoral ou de utilizar a máquina pública para beneficiar eleitoralmente os ministros de Fernando Henrique.Agora, Dilma é a candidata natural à sucessão de Lula. A disputa que resta apenas a alguns ministros é pela vaga de vice na chapa que será encabeçada pela ministra. Enquanto isso, ela seguirá coordenando as obras do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) e acompanhando o presidente nas viagens que faz pelo País. Restará à oposição acompanhar todos os passos da ministra e se queixar, sempre que achar alguma brecha, ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) por campanha antecipada. A esperança com essa estratégia é convencer, depois de muita insistência, os ministros a colocarem um freio no governo e em Dilma Rousseff.

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