União PMDB-PT só se repete em 23 cidades com 2 turnos

Nas principais capitais, como Rio e São Paulo, características regionais atrapalharam união

Marcelo de Moraes, BRASÍLIA, O Estadao de S.Paulo

14 de julho de 2008 | 00h00

Planejada para ser uma espécie de casamento político ideal, a parceria entre PT e PMDB acabou ficando aquém das expectativas para as próximas eleições municipais, em outubro.No universo dos 79 municípios que têm a possibilidade de eleição em dois turnos (capitais e cidades com mais de 200 mil eleitores), os dois maiores partidos do governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva estarão juntos na campanha de apenas 23 municípios. Não é um número inexpressivo, mas mostra que a afinidade entre as duas legendas ainda está longe de ser algo natural.Além disso, nas maiores capitais do Brasil, a parceria acabou não se concretizando. Não foi fechado acordo entre os dois partidos nas principais cidades em disputa: São Paulo, Rio de Janeiro, Belo Horizonte, Porto Alegre e Salvador.Em São Paulo, maior colégio eleitoral nacional, o PT lançará a ex-ministra do Turismo Marta Suplicy como candidata. O PMDB preferiu apoiar seu adversário direto, o ex-governador de São Paulo Geraldo Alckmin (PSDB), indicando Alda Marco Antônio como vice na sua chapa.No Rio de Janeiro, outra dissidência entre os dois aliados nacionais. O PT apresentou a candidatura de Alessandro Molon. Já o PMDB terá como candidato o ex-deputado Eduardo Paes.Em Belo Horizonte, a participação dos dois partidos na mesma chapa quase aconteceu, mas acabou não vingando. O PT apoiará Márcio Lacerda (PSB), num acordo político que inclui informalmente como principal patrocinador o governador tucano Aécio Neves, adversário nacional do governo federal e possível candidato a presidente em 2010. Já o PMDB lançou o deputado Leonardo Quintão.No caso de Porto Alegre, o PMDB optou por investir na tentativa de reeleição do prefeito José Fogaça. O PT não aderiu a essa candidatura e terá a deputada Maria do Rosário na disputa.Em Salvador, nem mesmo a parceria estadual entre os principais dirigentes regionais dos dois partidos foi capaz de fazer com que PMDB e PT se entendessem na disputa pela capital baiana.No plano estadual, o governador petista Jaques Wagner teve o apoio importante do ministro da Integração Nacional, Geddel Vieira Lima (PMDB), para chegar ao poder. Agora, estarão em lados diferentes. Geddel lutará para reeleger João Henrique Carneiro, que trocou o PDT pelo PMDB a seu convite. Wagner terá como candidato o deputado Walter Pinheiro (PT).GOVERNO FEDERALDesde a posse do presidente Luiz Inácio Lula da Silva em 2003, os dois partidos buscavam aprofundar sua união política, para fortalecer o governo e ampliar chances nas eleições. Logo no primeiro ano do mandato petista, o então ministro da Casa Civil, José Dirceu, chegou a fechar um acordo com o presidente nacional do PMDB, Michel Temer (SP). A negociação, entretanto, fracassou e só prosperou nos anos seguintes, abrindo espaço ao PMDB para a ocupação de cargos políticos no governo federal e acenando com a possibilidade de aliança nacional.Esse acordo, porém, não foi capaz de garantir que os dois partidos estivessem juntos na chapa da reeleição do presidente Lula - o PMDB preferiu não apoiar ninguém. Michel Temer chegou a ajudar o tucano Geraldo Alckmin, que disputou o segundo turno com Lula.Com a vitória de Lula, a reaproximação aconteceu e reaqueceu a intenção de os dois partidos formatarem finalmente seu casamento político completo. O PMDB ampliou ainda mais seu espaço no primeiro escalão, tendo sob sua responsabilidade os Ministérios da Agricultura, Saúde, Minas e Energia, Integração Nacional e Comunicações. E manteve o acordo político para dividir o controle dos comandos de Câmara e Senado com o PT e ocupar as lideranças do governo no Senado (Romero Jucá) e no Congresso (Roseana Sarney).CAPITAISApesar disso, as diversas realidades políticas regionais não permitiram que os partidos caminhassem juntos na maioria das grandes cidades. Entre as 23 alianças fechadas nos 79 principais colégios eleitorais brasileiros, os acordos entre PT e PMDB deram certo em 9 das 26 capitais.A maior delas é Fortaleza, onde Luizianne Lins (PT) concorre à reeleição. O PMDB integra a chapa, mas sem nem sequer indicar o candidato a vice. Em outra capital, Goiânia, a cabeça da chapa é do PMDB, com o prefeito Iris Rezende buscando um novo mandato e tendo o petista Paulo Garcia como vice. As alianças em capitais se reproduzem em Fortaleza, Vitória, Teresina, Natal, Porto Velho, Goiânia, Cuiabá, João Pessoa e Boa Vista.Na análise desses acordos, o PT terá a cabeça-de-chapa em dez cidades: Fortaleza, Vitória, Teresina, Natal, Porto Velho, Uberlândia, Niterói, Diadema, Santo André e São José dos Campos. O candidato majoritário peemedebista prevalece em seis cidades: Goiânia, Uberaba, Ananindeua, Campina Grande, Duque de Caxias e Bauru. E os dois partidos não encabeçam chapas, mas estarão juntos em sete cidades: Cuiabá, João Pessoa, Boa Vista, Serra, São João de Meriti, Campinas e São Vicente.

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