União entre homossexuais é um direito civil, diz Dilma

Segundo a candidata do PT, igrejas continuarão livres para decidir sobre os assuntos inerentes a elas

Luciano Coelho, especial para o Estado,

14 de outubro de 2010 | 16h26

TERESINA - A assumir o compromisso de não encaminhar ao Congresso Nacional projetos que envolvam religião, a candidata do PT à Presidência, Dilma Rousseff, defendeu a união entre homossexuais como um direito civil, mas sublinhou que não se posicionará sobre o assunto em um eventual governo. Segundo a petista, as igrejas continuarão livres para decidir sobre assuntos inerentes a elas e criticou leis que criminalizam manifestações feitas dentro do contexto religioso.

 

"O preconceito contra o homossexual, temos que condenar. A parte relativa a criminalizar as igrejas, quando dentro delas existe manifestação que elas não aceitam, isso é um absurdo. Criminalizar é um excesso. Tem de ter equilíbrio. Não podemos exigir que as igrejas aceitem aquilo que elas não concordam. A lei pune a discriminação e o preconceito. Tem uma parte da lei que está errada, porque torna crime o que não deve ser crime", assinalou a candidata.

 

Antes das declarações, Dilma assumiu o compromisso de não mandar ao Congresso nenhuma legislação que tenha impacto sobre a prática religiosa. "Não vamos enviar nenhuma lei deste tipo ao Congresso, com relação à lei de aborto e outras. Ficamos de discutir os termos de uma carta compromisso. Agora, o grande compromisso que assumo é que o Estado é laico e não vai interferir em questão religiosa. O Estado não será de uma religião", apontou.

 

Durante o comentário, um repórter perguntou se a candidata era homossexual, o que a deixou indignada. Ela lamentou que tenham espalhado histórias e panfletos contra ela, sua campanha e seu partido. "Isso não contribui em nada para o desenvolvimento do País", criticou.

 

Sobre a distribuição de manifestos por setores da Igreja em São Paulo, que pregam o voto contrário à petista, Dilma disse ter tomado conhecimento. "Sei que têm manifestos e posicionamentos absolutamente equivocados a respeito da minha pessoa, da minha campanha e do meu partido. Acredito que isso não contribui para o meu País. Se basear em preconceitos, ou difundir inverdades para ganhar eleição é um método injusto, o nosso País está voltando para trás", afirmou.

 

Agressividade. Dilma afirmou que a campanha não está mais agressiva. "A campanha não é mais agressiva, temos apenas dois candidatos. É impossível que não haja um conflito de posições. Vamos debater. É para isso que serve o segundo turno. Acho que a palavra não é 'agressiva'", finalizou.

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