União e Congresso chegarão a acordo sobre corte, diz Múcio

Ministro descarta impasse com parlamentares para compensar perda de R$40 bi pelo fim da CPMF

Adriana Fernandes e Gustavo Porto, de O Estado de S. Paulo, Agencia Estado

24 de janeiro de 2008 | 11h10

O ministro das Relações Institucionais, José Múcio Monteiro, acredita que governo e o Congresso Nacional chegarão a um bom termo e a um consenso para a definição dos cortes no Orçamento da União deste ano, necessários para compensar a perda de R$ 40 bilhões em receitas, com o fim da Contribuição Provisória sobre Movimentação Financeira (CPMF). José Múcio disse não acreditar em um impasse em razão de parlamentares estarem defendendo um corte menor, já que as receitas foram reestimadas pelo governo para mais. Na terça-feira, o ministro da Fazenda, Guido Mantega, reafirmou que o corte era de R$ 20 bilhões, como inicialmente previsto. "Cada um exerce o seu papel. Ao ministro da Fazenda interessa um pouco mais, 20, 21 (bilhões). Aos parlamentares interessa que não haja cortes. Cabe (a cada um) chegar ao bom termo e ao consenso e encontrar o possível", afirmou José Múcio. Ele alertou que o governo não pode "fazer surpresas" ao Congresso. O ministro disse que os cortes não estão fechados e previu que no dia 12 de fevereiro o relatório do Orçamento será votado na Comissão Mista do Congresso. Dívida agrícola José Múcio defendeu a renegociação da dívida dos agricultores, pela equipe econômica. "A renegociação é necessária", disse o ministro, ao chegar ao Ministério da Fazenda, para uma reunião com os ministros da Fazenda, Guido Mantega, e da Agricultura, Reinhold Stephanes, além do presidente da Comissão de Agricultura da Câmara, Marcos Montes (DEM-MG). Segundo José Múcio, a renegociação é uma pendência do governo. Ele informou que o ministro da Fazenda já tinha se comprometido com os parlamentares da bancada ruralista para uma conversa, além de fazer um estudo de avaliação da dívida. José Múcio negou que haja pressão dos parlamentares para que o governo aprove a renegociação, em troca do apoio da bancada a projetos de interesse do governo. "Não há nenhum tipo de ameaça e de pressão", assegurou o ministro. Segundo ele, o fundamental é o bom entendimento. O ministro reconheceu, porém, que a bancada ruralista é um dos grupos mais "organizados" e "mobilizados" no Congresso Nacional, ao lado da bancada da saúde. José Múcio chamou esses parlamentares de "grupos temáticos". "Eles estão no papel deles e cabe ao governo ouvir e, no que puder, fazer", afirmou.

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