União acusa procuradora de abuso de poder

A Procuradoria-Geral da União requereu à Corregedoria do Ministério Público Federal inquérito administrativo contra a procuradora da República no Distrito Federal, Eliana Peres Torelly de Carvalho, por "desvio de função e abuso de poder". Em seu pedido, o procurador da União, Walter Barletta, sustenta que Eliana "teve participação ativa em desvios configuradores de ilícitos" no episódio que quase levou à prisão, em dezembro, o secretário da Receita, Everardo Maciel. Eliana é a mesma procuradora que, no início de 2001, participou da polêmica reunião na sede da procuradoria em Brasília com o então senador Antonio Carlos Magalhães e outros dois procuradores. A conversa com ACM foi gravada e revelou os bastidores da cassação do ex-senador Luiz Estevão. Barletta pediu a "imediata inclusão" de Eliana nos autos da representação principal, contra o procurador Aldenor Moreira de Souza, que teria sido responsável por "espetáculo circense com grave ofensa à dignidade pessoal e funcional do secretário da Receita". Em outra representação, em fevereiro, a União acusou cinco procuradores federais do Rio, que teriam agido em defesa de "interesses pessoais" do auditor Edson Pedrosa, personagem central da ação sobre Everardo. A denúncia contra Eliana é o capítulo mais tenso da crise entre a cúpula da Receita e os procuradores. ManifestoA representação de Barletta foi tornada pública pelo site da Advocacia-Geral da União (AGU) na internet, o que provocou reação irada da Associação Nacional dos Procuradores da República. Por meio do manifesto A bem da verdade, o presidente da entidade, Carlos Frederico Santos, acusou Barletta de fazer representação "pouco ética, inconsistente e irascível, sem embasamento legal".O líder dos procuradores afirmou que Barletta age com "falta de profissionalismo, pois persegue de maneira não ortodoxa fins diversos de punição disciplinar". Frederico advertiu que os procuradores "não temem ameaças, pois sabem bem desempenhar seu papel constitucional de levar às barras da Justiça aqueles que, embora arvorando-se da condição de honestos, estão, na verdade, a serviço de conhecidos interesses espúrios".

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