Marcio Fernandes/AE
Marcio Fernandes/AE

Ungido candidato, Haddad faz oposição a Kassab e reforça elos com a União

Partido busca vice ‘popular’ com inserção nas classes C e D

Vera Rosa e Julia Duailibi

11 de novembro de 2011 | 22h33

O ministro da Educação, Fernando Haddad, foi lançado nesta sexta-feira, 11, pré-candidato do PT à Prefeitura de São Paulo com um discurso crítico à gestão Gilberto Kassab (PSD). O petista deu o tom de como será sua campanha em 2012 ao falar da "aliança estratégica" com o governo federal e ao descartar uma coligação com o partido que governa a capital paulista.

 

O anúncio feito nesta sexta por Haddad, acompanhado pela direção do PT, enterra as prévias no partido e, a oito meses das convenções, o coloca como o principal nome do pólo oposicionista na disputa. Apesar das críticas à gestão Kassab, não está descartada aliança entre PSD e PT num eventual segundo turno, já que nacionalmente o governo federal busca acordos com o partido criado pelo prefeito.

 

"O sentimento da militância do PT, já expresso em congresso, é de mudança, e não de continuidade. O sentimento é de que as coisas precisam mudar em São Paulo", afirmou Haddad após encontro com os dois pré-candidatos que abriram mão da disputa, os deputados Jilmar Tatto e Carlos Zarattini, na sede do PT nacional, em São Paulo.

 

Haddad evitava adotar um tom crítico em relação a Kassab, em razão da boa relação que o prefeito tem com o governo federal. Mas, nas negociações para evitar as prévias, petistas paulistanos pediram ao ministro que adotasse um tom de crítica.

 

Retrocesso’. "Vários programas importantes, várias iniciativas do governo federal não chegaram à cidade. Não por falta de vontade do governo. Isso coloca São Paulo em descompasso com várias outras regiões do País que souberam aproveitar as oportunidades que o extraordinário momento político do Brasil oferece", declarou o ministro, que falou de "retrocesso" na gestão Kassab e de programas "que não foram aprofundados como prometido" – ele citou os CEUs e o Bilhete Único.

 

O ministrou enalteceu a parceria com a União, uma das principais bandeiras da sua campanha. "O nosso objetivo é promover uma aliança estratégica e fazer chegar os principais programas do governo federal. Falo isso não só pelo que eu verifiquei ser possível trazer na área da educação, onde atuo", disse.

 

Questionado se as denúncias envolvendo o Enem (Exame Nacional do Ensino Médio) poderiam prejudicar sua campanha, Haddad disse que elas vão "ajudar". "Veja só a situação do paulistano antes do governo Lula. Tinha 10 mil vagas públicas a sua disposição apenas. Hoje o paulistano tem 300 mil bolsas de estudo em todo o Brasil", afirmou.

 

Slogan. Haddad reeditou slogan da oposição ao governo federal na campanha presidencial de 2010. Ao falar dos desafios colocados para São Paulo, disse que um plano de governo "ousado suficiente para arrebatar as mentes e corações dos paulistanos, sinalizando que a cidade pode mais, que a cidade pode muito". Em 2010, os tucano usaram o bordão "O Brasil Pode Mais".

 

O nome de Haddad, de 48 anos, foi projetado no PT após costura com diversas alas do partido, comandada pelo ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva. O petista avalia que o ministro, uma novidade no cenário eleitoral, é um bom nome para vencer a resistência que setores da classe média tem ao partido.

 

A articulação levou à desistência, na semana passada, da senadora Marta Suplicy, que liderava as pesquisas de intenção de voto. A partir de então, era dada como certa a saída de Tatto e Zarattini. Para desistir, negociaram espaço na bancada petista e na coordenação de campanha.

 

A doença de Lula, que faz tratamento de combate ao câncer, foi citada como elemento de unidade. "Acho que nós temos que fazer essa homenagem no ponto de vista da unidade do PT, e o presente que podemos dar é a vitória de Haddad", disse Tatto.

 

Alianças. O PT agora mira no PMDB, que tem como pré-candidato o deputado Gabriel Chalita. Haddad elogiou o parlamentar, mas fez uma ressalva: "Se for decisão dele e do PMDB a manutenção da candidatura, como me parece a tendência, ele vai ter todo o meu respeito", disse. Ontem, a direção do PMDB reafirmou o apoio à candidatura Chalita.

 

Lula promete fazer um "esforço hercúleo" para convencer Chalita a desistir da candidatura. Na avaliação do ex-presidente, embora os perfis de Chalita e Haddad sejam parecidos – os dois são da área de educação –, o deputado do PMDB atrai também eleitores católicos e das classes C, D e E. "O sonho de consumo do Lula é o Chalita", resumiu um amigo do ex-presidente.

 

Se nem Lula conseguir convencer o PMDB, os petistas passarão à segunda opção: atrair um nome do PR, do PDT ou mesmo do PC do B, que hoje está na base de sustentação de Kassab. Além do vereador Netinho de Paula, com perfil popular, dirigentes do PT lembram da deputada estadual Lecy Brandão (PC do B). Haddad disse ontem que a discussão sobre a vice é "prematura".

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