Unesp avalia uso de titânio em implantes dentários

Uma nova técnica de implante dentário com o uso de titânio está sendo desenvolvida no Instituto de Química (IQ) da Universidade Estadual Paulista (Unesp) no campus de Araraquara. Mantida sob sigilo por estar em fase de patenteamento, a técnica garante melhor integração entre o implante e o osso e possibilitará aos fabricantes dos pinos que sustentam o dente implantado agregar mais qualidade a seus produtos. O novo processo deverá estar no mercado em 2002, segundo os cientistas brasileiros. A informação foi divulgada pelo Ministério de Ciência e Tecnologia. A pesquisa para o desenvolvimento da nova técnia teve início há quatro anos, sob a coordenação do professor Antônio Carlos Guastaldi.As peças produzidas em titânio podem ser usadas por qualquer período de tempo, como parte ou sistemas completos, na substituição de tecidos, órgãos ou funções do corpo. O titânio já é usado como biomaterial na ortopedia, substituindo ossos, há pelo menos vinte anos. Para aprofundar o conhecimento desse material na área odontológica, Guastaldi teve como base o projeto financiado pela Fundação de Auxílio à Pesquisa no Estado de São Paulo (Fapesp) "Estudo das Propriedades Mecânicas e de Corrosão do Titânio e das suas Ligas Aplicadas como Biomaterial" e a colaboração de vários projetos de mestrado e doutorado.O professor explicou que "nossas pesquisas direcionam-se por um caminho completamente diferente do que é realizado no resto do mundo", diz ele, acrescentando apenas que o segredo da técnica está em promover mutações sutis na superfície do metal". Mesmo as soluções mais modernas têm limitações. "A olho nu, os implantes dentários parecem perfeitos", diz Guastaldi. "Mas, quando submetidos aos sistemas eletrônicos de análise, como a microscopia eletrônica de varredura com ampliações de 35 a 10 mil vezes, constatam-se imperfeições na superfície dos materiais utilizados que poderão comprometer a tão desejada osseintegração".Os cientistas brasileiros esperam finalizar os testes dos novos implantes de titânio ainda nesse semestre. "Pode ser que demore até mais, porém vamos tomar todos os cuidados para que a descoberta tenha aplicação prática de forma rápida", salienta o professor Guastaldi.A empresa brasileira Conexão Sistemas de Prótese, fabricante de material para implantes dentários, está interagindo com o Grupo de Biomateriais e tem grande interesse nos resultados. Depois de ter o método completamente testado e a patente registrada no Brasil e em outros países, processo que tem o apoio da Fapesp, os pesquisadores da Unesp devem negociar o repasse da tecnologia para a Conexão. A empresa tem interesses em fabricar peças para implantes que proporcionem mais segurança e qualidade. Há possibilidade de os novos pinos dentários estarem no mercado em 2002.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.