Unesco divulga pesquisa sobre violência nas escolas

Uma pesquisa patrocinada pela Unesco revela que 29% dos alunos da rede pública e privada de São Paulo já viram colegas ou estranhos portando armas de fogo ou branca dentro das escolas. Entre esses estudantes, 4% admitem ter entrado armado nas salas, 11% dizem conhecer os pontos de venda, 19% afirmaram que os pais possuíam armas em casa e 19% garantem ser fácil conseguir um revólver ou faca nas imediações e até mesmo dentro da instituição de ensino.Os dados constam do livro "Violência nas Escolas", coordenado pelas pesquisadoras Miriam Abramovay e Maria das Graças Rua, lançado em março. De 2000 ao início de 2002, foram aplicados 33.655 questionários a alunos, pais, professores e agentes públicos em 14 capitais para mapear esse fenômeno que até anos atrás se imaginava não ultrapassar os muros dos colégios. "Os pais tinham certeza de que escola era um espaço inviolável", reforça Miriam. A pesquisadora observa que a violência nos colégios sempre existiu e se tornou mais explícita com o crescimento de casos nas ruas. A violência do tráfico e das gangues se transporta para dentro das escolas, em muitos casos, para pegar os jurados de morte lá fora. Mas Miriam ressalta que o número de homicídios nas escolas não atigem 0,1% do que ocorre na sociedade. Nem por isso é menos preocupante. A enquete com alunos paulistas mostra que 40% dos entrevistas presenciaram alguma ameaça contra si mesmo, outros colegas, professores e funcionários. Outros 21% dizem ter assistido a brigas e espancamentos e 11% sabem de casos de estupro dentro da escola ou nos seus arredores. A violência acaba comprometendo o rendimento dos alunos e professores, que faltam às aulas e ao trabalho para fugir das agressões. Miriam diz que a falta de estrutura, como iluminação e faixa de pedestre, contribuem para o aumento de violência no entorno e dentro de colégios. A pesquisadora constatou que as agressões físicas, presença de traficantes, armas e gangues são a parte mais visível da violência nas escolas. Mas os alunos também se queixam da violência simbólica, caracterizada pelo fato de não poderem confiar na instituição, racismo e da fallta de perspectiva de futuro, principalmente nas públicas onde a maioria considera praticamente impossível conseguir uma vaga em uma universidade pública. No livro, as pesquisadoras apontam algumas soluções para reverter o atual quadro. Uma delas é diminuir o tamanho das escolas, fixando a capacidade máxima entre 500 e 700 alunos. A escola deve abrir espaço para a participação de pais e para o diálogo com os alunos. É preciso garantir iluminação, faixa de pedestre e algum tipo de segurança, o que não significa aumentar o policiamento. E, principalmente, adoção de políticas públicas para melhorar a vida das pessoas e reduzir a exclusão social. "O sistema educacional, hoje, é uma pirâmide", lamenta Miriam.

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