Unesco avalia programa Escolas da Paz

Uma pesquisa feita pela Unesco para avaliar o programa Escolas da Paz - em que escolas públicas são abertas à comunidade nos fins de semana - traçou o perfil dos alunos do sistema estadual de ensino. Para 88,3% dos 11.560 alunos entrevistados, a televisão é citada como a principal forma de ocupação do tempo livre, 60% moram com pai e mãe, 71% somente estudam. Muitos relataram ter sofrido diversos tipos de violência, como invasão de domicílio - por assaltantes ou policiais - agressão física e até estupro."A delinqüência nasce da desagregação familiar, da falta de espaço de lazer, da falta de integração com a sociedade, da falta de uma cultura da paz. A escola não tem que ficar fechada nos fins de semana, se ela pode ser uma alternativa a esse quadro", afirmou o governador Anthony Garotinho. Ele decidiu estender o programa para 300 escolas - até ontem apenas 111 escolas de 72 municípios do Rio faziam parte do Escola da Paz.A maioria dos jovens entrevistados tem entre 15 e 24 anos, e 58% são do sexo feminino. Entre os dados que chamaram a atenção dos pesquisadores está o índice dos alunos que responderam que "não fazem nada" nos horários de lazer: 11,2%. "Isso quer dizer que são 2,5 milhões de jovens", afirmou a coordenadora da pesquisa Miriam Abramovay.Apesar de a escola em que estudam ficar em regiões consideradas "de risco", por causa do alto índice de violência, grande parte dos adolescentes acredita que mora num bairro "bom" (55,6%) ou ótimo (18,7%). Eles relataram terem sido vítimas de furto (1.351 casos), invasão de domicílio pela polícia ou bandidos (1.088), assalto (1.069), agressão física (1.008), violência no trânsito (460), e estupro (102). "Esse dado (estupro) é aterrorizante", afirmou Miriam.Os jovens acreditam que a Escola da Paz ajuda a diminuir a violência na própria instituição (69,5%), mas são mais céticos sobre esse efeito em relação ao bairro em que vivem (43%), e à sua família (43%). A maioria vai à escola nos fins de semana para encontrar os amigos (66,9%).

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.