UNE não apoiará candidatos em 2010, diz novo presidente

Apesar de Lula ter sido ovacionado em reunião da entidade, Augusto Chagas não fala em pedir votos para Dilma

Pedro Venceslau,

20 de julho de 2009 | 19h36

Augusto Chagas tinha apenas dez anos em 1992, quando viu pela TV a UNE ir ás ruas pedir o "Fora Collor". No último domingo, aos 27, ele foi eleito presidente da mesma UNE no primeiro congresso da história da septuagenária entidade que contou com a presença de um presidente da República. Lula sentiu-se em casa entre os dez mil estudantes - metades deles delegados eleitos pela base - que foram a Brasília e elegeram Augusto, que é do PCdoB. O presidente comoveu-se com os gritos de "Ole, ola, Lula e Dilma lá" , assim como Ciro Gomes, que também viu seu nome entoado pela plateia. Apesar do entusiasmo, a UNE, segundo seu presidente, não vai embarcar em nenhuma candidatura em 2010. Nessa entrevista para o Estado, Augusto Chagas fala sobre o futuro, o presente e as polêmicas envolvendo a União Nacional dos Estudantes.

 

Qual será o papel e a posição da UNE nas eleições de 2010? A entidade apoiará a candidatura de Dilma Rousseff?

 

A UNE é alvo de insinuações sobre seu posicionamento, o que visa nos tirar do debate central. De qualquer forma, faremos uma caravana pelo país para debater as eleições nas universidades. Vamos organizar um plebiscito nacional para definir uma plataforma dos estudantes para as eleições.

 

A UNE vai pedir votos?

 

Será a primeira vez depois de muito tempo que Lula não será o candidato de referência da esquerda. Isso encerra um ciclo, portanto haverá uma comparação inevitável entre os oito anos de Lula e os de FHC. A UNE pretende estar no debate. Queremos sentar com os candidatos e cobrar o compromisso com a pauta dos estudantes. Mas a UNE não tem tradição de defender candidaturas. Eventualmente até podemos apoiar um determinado candidato, mas não é papel da UNE ter atuação partidária.

 

Você votará na Dilma ou no Ciro (que é do Bloco de Esquerda, composto também pelo PCdoB)?

 

Algumas candidaturas representam o projeto do Lula. Dilma aparece com destaque, mas Ciro Gomes também. Ele esteve conosco no Congresso é uma figura que representa esse campo. De qualquer forma, nesse momento a UNE não está interessada em nomes, mas em programas.

 

Vão pedir o "Fora Sarney?"

 

A UNE não pretende resumir o debate nacional a um problema político do Congresso. Seria um debate pela metade, que personificaria o problema da corrupção. O Senado ainda representa os interesses das oligarquias mais antigas e novas do Brasil. Só vamos superar esse problema com mudanças profundas. A UNE defende há tempos que seja realizado um processo de reforma política. Sobre as denúncias de corrupção, defendemos que tudo seja apurado. Não há vacilação em relação a isso.

 

Os estudantes presentes ao congresso da UNE pressionaram vocês por uma posição mais dura em relação ao Senado?

 

A maioria concorda com essa opinião. Não vamos embarcar em uma aventura.

 

Defende o monopólio da meia entrada?

 

Essa será uma pauta importante da gestão. Hoje, na prática, a meia é a entrada inteira. Os empresários desrespeitam o direito dos estudantes. Achamos legítimo que as entidade da base participem do processo de emissão da carteira de identificação.

 

A UNE é governista? Acha legítimo que receba verbas do governo?

 

Fazem muita confusão sobre isso. Acho que não só é legítimo, como é um dever do poder público ajudar a UNE para que ela realize suas atividades. O 51 ° Congresso contou com 10 mil estudantes. Tivemos tem que alojar, alimentar e deslocar uma multidão, além de trazer convidados e oferecer atividades culturais. É comum que o poder público patrocine eventos assim. As prefeituras costumam ajudar, os Estados também.

 

A UNE representa as ideias da maioria dos estudantes?

 

Mais de 92% da faculdades elegeram representantes. Foram dois milhões de votos diretos nas faculdades elegeram os delegados. Nosso congresso representou 4,.5 milhões de universitários. Também fazem insinuações sobre a relação da UNE com os partidos políticos. São insinuação confusas. Os partidos políticos vem aqui apresentar suas ideias. Mas isso não quer dizer que a maioria aqui tem filiação. a maioria não tem identificação nesse sentido. Lula tem construído relação de maior abertura com os movimentos sociais. Dialoga, UNE tem procurado ocupar esse espaço. Se a UNE celebra conquistas do lula, é porque estão em sintonia com as opiniões.

 

Quais serão as principais bandeiras da UNE nos próximos dois anos?

 

A reforma universitária é a principal pauta. Defendemos a criação de uma Bolsa Nacional para estudantes de escola pública e privada, no valor de 3/5 do salário mínimo. Quem estiver dentro de uma determinada faixa de renda, recebe uma bolsa para ajudar no transporte e na alimentação. Defendemos, ainda, a democratização da universidade no Brasil, a ampliação do ProUni e do número de universidades federais. E também eleição direta para reitor.

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