Unasul planeja elaborar estratégia comum de defesa

Os países da América do Sul planejam formular uma estratégia comum de defesa regional e deram o primeiro passo para atingir esse objetivo. Ministros de Defesa da União de Nações Sul Americanas (Unasul) inauguraram, hoje, em Buenos Aires, o Centro de Estudos Estratégicos de Defesa, que terá representantes permanentes dos países. "Como somos vários países assimétricos, o centro vai fazer um levantamento de todas nossas debilidades e vamos tentar formular uma política de estratégia que possa ter o poder de dissuasão extra-regional", explicou o ministro da Defesa brasileiro, Nelson Jobim, em entrevista à imprensa.

MARINA GUIMARÃES, Agência Estado

27 de maio de 2011 | 15h24

Segundo ele, a estratégia entre os países vizinhos tem de ser de cooperação, mas há uma necessidade de identificar as partes que estão vulneráveis para estabelecer um programa entre os Estados para cobrir essa regiões. Para o ministro, a ameaça vem de fora, atraída pelos abundantes recursos naturais, pela produção de alimentos e pela energia disponível nos países da região. "Temos riquezas que, daqui a 40 anos, se vierem atrás delas, temos que estar preparados para defendê-las", disse Jobim.

O ministro lembrou que sempre há o discurso norte-americano de que a Amazônia, por exemplo, tem de ser internacional. "O que temos que deixar claro é que estas riquezas são geradas para a região sul-americana e para o mundo, mas quem vai cuidar destas riquezas somos nós. Temos que criar um pensamento comum para ter uma doutrina sul-americana de Defesa", completou. Jobim afirmou que o conceito integrado de estratégia de Defesa também dará força aos países nos foros internacionais.

"Não adianta achar que, isoladamente, você vai ser forte. O Brasil está muito bem, mas não representa a América do Sul. Mas se conseguirmos fazer com que a América do Sul se integre nesse objetivo da concepção de defesa, aí você tem um continente forte", ressaltou. Indagado sobre quais são os temores da região, Jobim citou, como exemplo, a futura escassez da água. Ele ressaltou que o Mercosul detém 25% das águas subterrâneas do mundo. "Daqui a 40 anos, se água acabar no mundo, vão vir pegar nossa água", disse.

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