Unasul e governos latino-americanos dizem temer que 'instabilidade' no Brasil afete a região

Segundo o secretário-geral do organismo, Ernesto Samper, há atores políticos no País 'que estão fazendo política sem responsabilidade política'; governantes demonstram apoio a Dilma

EFE

13 de maio de 2016 | 21h18

QUITO (EQUADOR) - A União de Nações Sul-Americanas (Unasul) e governos latino-americanos se mostraram temerosos com a instabilidade que o afastamento da presidente Dilma Rousseff pelo Senado, aprovado na manhã da quinta-feira, 12, possa trazer para a região.

Em entrevista coletiva em Quito, sede permanente da Unasul, o secretário-geral do organismo Ernesto Samper se pronunciou logo depois de o Senado aprovar a abertura de processo de impeachment contra a presidente Dilma Rousseff. Segundo o secretário-geral, há atores políticos no País "que estão fazendo política sem responsabilidade política".

Para a Secretaria-Geral da Unasul, acrescentou Samper, esses atores "estão comprometendo a governabilidade democrática da região de uma maneira perigosa".

O representante do bloco sul-americano reiterou que não existem acusações sobre a conduta da governante brasileira e, quanto às "acusações administrativas" feitas contra Dilma, considerou que não justificam "um processo de cassação como o que se iniciou".

Segundo Samper, se for aceito que tais acusações têm valor para isso, qualquer presidente poderia ser cassado "por uma simples atuação administrativa que se considere equivocada".

O ex-presidente da Colômbia, que governou entre 1994 e 1998, declarou ainda que o procedimento aberto no Brasil poderia violar "o princípio de separação de poderes" ao outorgar ao Congresso "a possibilidade de criminalizar atos administrativos".

No Brasil, "maiorias políticas parlamentares, de alguma maneira, desafiaram as maiorias cidadãs que se expressaram de maneira clara" em favor de Dilma, salientou Samper.

"Nós acreditamos que enquanto este processo seguir adiante ela segue ostentando o título de presidente constitucional do País", disse Samper, que solicitou, em nome da secretária-geral da Unasul que se garanta o direito de defesa da governante e que seja julgada com as garantias próprias de um Estado de Direito.

Governos. Após tomarem conhecimento da decisão do Senado de afastar a presidente Dilma Rousseff temporariamente, representantes dos governos latino-americanos divulgaram notas de apoio à presidente afastada.

O presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, classificou a saída de Dilma como um “golpe de Estado” e um “sinal grave e perigoso para o futuro da estabilidade de todo o continente.” 

Em carta enviada a Dilma, o presidente da Nicarágua, Daniel Ortega se disse “indignado” com o “processo antidemocrático”. O governo cubano falou em “contraofensiva reacionária do imperialismo”.

Evo Morales, da Bolívia, considerou um “atentado contra a democracia e a estabilidade política do Brasil e da região”, enquanto O governo colombiano disse esperar que a “estabilidade" brasileira se preserve. / EFE

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