Evaristo SA/AFP
Evaristo SA/AFP

Uma posse em tons de 'Bic' e sons de Libras

Em linguagem de sinais, Michelle Bolsonaro diz que eleições ‘deram voz a quem não era ouvido’

Vera Rosa e Julia Lindner, O Estado de S.Paulo

01 Janeiro 2019 | 22h38

BRASÍLIA -  Com um vestido rosê em zibeline, estilo anos 1950, a primeira-dama Michelle Bolsonaro surpreendeu nesta terça-feira, 1º, ao discursar no parlatório do Palácio do Planalto antes de o presidente Jair Bolsonaro se dirigir à população. Diante da Praça dos Três Poderes, ela fez um discurso em Libras, a língua dos sinais. Com a ajuda de uma intérprete, Michelle agradeceu a solidariedade a Bolsonaro após o atentado a faca sofrido por ele em setembro, durante a campanha, e prometeu que o governo dará “atenção especial” às pessoas com deficiência.

“As eleições deram voz a quem não era ouvido e a voz das urnas foi clara: o cidadão quer segurança, paz e prosperidade”, disse. A tradutora chorou. Professora de Libras, Michelle foi bastante aplaudida. “Vocês serão valorizados e terão os direitos respeitados. Tenho esse chamado no meu coração e desejo contribuir na promoção do ser humano.”

Aos gritos de “mito”, o público pedia que ela beijasse o marido e foi atendido. Pouco antes, na cerimônia em que Michel Temer passava a faixa presidencial para Bolsonaro, um surdo-mudo interpretou o Hino Nacional em Libras. Das 400 cadeiras do Salão Nobre do Planalto, onde Bolsonaro deu posse coletiva aos 22 ministros e recebeu convidados, 33 continham o símbolo “Acessível em Libras”.

Dos ex-presidentes, apenas José Sarney (1985-1990) e o senador Fernando Collor (PTC-AL), que sofreu impeachment em 1992, compareceram à posse. Tinham assento marcado, na primeira fileira. Não constavam, porém, lugares destinados a Dilma Rousseff (PT), cassada em 2016, e a Fernando Henrique Cardoso (PSDB), que governou o País de 1995 a 2002.

O cerimonial do Itamaraty informou que todos os ex-presidentes foram convidados para a posse, com exceção de Luiz Inácio Lula da Silva, condenado e preso na Lava Jato desde abril.

Quando o telão instalado no Salão Nobre ainda exibia o discurso de Bolsonaro no Congresso, outro capitão reformado do Exército não escondia o contentamento. Renato Bolsonaro não passava despercebido por causa da semelhança com o presidente, seu irmão. “O maior desafio dele é unificar. O Brasil vai dar uma guinada de 180 graus em relação à ideologia”, afirmou Renato.

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