Uma medida provisória para o crítico das medidas provisórias

Garibaldi recorreu a MP para beneficiar seu Estado

Ana Paula Scinocca, BRASÍLIA, O Estadao de S.Paulo

18 de julho de 2008 | 00h00

Líder na cruzada contra as medidas provisórias, o presidente do Senado, Garibaldi Alves (PMDB), acabou recorrendo à idéia de pedir uma MP para conseguir a liberação de recursos para obras em seu Estado, o Rio Grande do Norte. Garibaldi esteve no Ministério do Planejamento para solicitar o dinheiro e a edição da medida. "Estive pedindo uma MP para liberação de verba para uma obra de emergência. Não sei exatamente quando foi, mas não faz muito tempo, não. É só neste tipo de caso que elas se justificam", disse ele ao Estado ontem, quando embarcava para Natal.No último dia de trabalho antes do recesso do Congresso, que começa hoje e segue até o dia 31 deste mês, Garibaldi reclamou mais uma vez do excesso de MPs. Mas argumentou que, no caso dele, não há problemas. "Era obra de emergência. Neste caso, não tem problema nenhum. E é exatamente apenas para casos como esses que as MPs deveriam ser editadas."O excesso de MPs tem travado as pautas do Senado e da Câmara. Assim como Garibaldi, o presidente da Câmara, Arlindo Chinaglia (PT-SP), também se queixa delas freqüentemente. Ontem, Chinaglia também repetiu o mantra sobre as MPs e insistiu que o governo deve diminuir o apetite por elas. Para conseguir aprovar a reforma tributária até o final do ano, disse o petista, o governo terá de reduzir as medidas. "É preciso que o governo entenda que, se quiser fazer a reforma tributária, tem que mitigar o apetite das medidas provisórias", afirmou.Dos balanços dos trabalhos do Congresso no primeiro semestre deste ano, divulgados ontem pelas duas Casas, consta a aprovação de 28 MPs no Senado e 36 na Câmara. Muitas das MPs do Senado chegaram na Casa com o prazo de exame vencido, o que trancou a pauta do plenário.

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