VIVI ZANATTA/ESTADÃO
Imagem feita em 2004 mostra o andamento das obras em trecho da marginal do rio Tietê, em São Paulo; o Grupo Estado encabeçou campanha em defesa do projeto VIVI ZANATTA/ESTADÃO

Uma história com a marca da defesa do meio ambiente

Criado por republicanos há 144 anos, o ‘Estado de S. Paulo’ tem na sua trajetória o compromisso com o desenvolvimento sustentável

José Maria Mayrink, O Estado de S.Paulo

04 de janeiro de 2019 | 05h00

O Estado de S. Paulo completa 144 anos, nesta sexta-feira, 4, com uma história marcada pela defesa de temas relevantes para a sociedade e o País, entre eles, o meio ambiente e o desenvolvimento sustentável, apontados recentemente por diversos organismos internacionais como fatores determinantes para o futuro das próximas gerações. 

Criado por um grupo de 21 idealistas republicanos, entre eles, dez fazendeiros das regiões da capital e de Campinas, o Estado levantou a bandeira da defesa do meio ambiente quando o assunto mal permeava as discussões econômicas e estava restrito às pesquisas científicas e estudos acadêmicos.

Já em julho de 1887, quando ainda se chamava A Província de São Paulo, o jornal defendeu a urgência da redação de um código florestal como instrumento legal para a preservação da mata na produção do carvão consumido pela indústria e pelas locomotivas a vapor da época. Nas décadas seguintes, O Estado de S. Paulo – como passou a se chamar após a proclamação da República, em 1889 –, insistiu, em editoriais e reportagens, na proteção das florestas. Defendeu também os povos indígenas, os seringueiros, uma exploração racional das terras e a preservação da Amazônia. 

Personagens relevantes dessa trajetória brasileira, como o marechal Cândido Rondon e os irmãos Villas Boas, sempre contaram com o apoio do jornal em artigos e em reportagens especiais. Mais recentemente, o Estado destacou a luta da Fundação Mata Atlântica em defesa da vegetação e da fauna ameaçadas de extinção, especialmente na Serra do Mar. Na edição de 5 de dezembro de 2018, um editorial do jornal alertou o então presidente eleito, Jair Bolsonaro, a agir com cautela em relação ao Acordo de Paris, firmado em 2015 por 195 países da ONU, com o compromisso de adotar uma série de ações para conter mudanças climáticas. 

Rio Tietê. Entre as campanhas defendidas pelo Grupo Estado ao longo desses últimos anos, está a da despoluição do rio Tietê, que tem 1.100 quilômetros e passa por vários municípios paulistas. No início dos anos 1990, a Rádio Eldorado encabeçou uma campanha, junto com a SOS Mata Atlântica, pela limpeza do rio. Foi organizado um abaixo-assinado, encampado pelo Grupo Estado (que incluía o Jornal da Tarde, publicado até 2012), e reuniu cerca de 1,2 milhão de assinaturas. A movimentação acabou mobilizando o governo do Estado a lançar, em 1992, o Projeto Tietê para a despoluição do rio.

Passados quase 27 anos, porém, o Tietê ainda não se livrou do problema. Após investimentos de US$ 2,8 bilhões, houve ampliação de 70% para 84% do índice de coleta de esgoto, e a mancha de poluição do rio recuou 408 km. Os números mostram um processo de recuperação, mas ainda lento.

Monitoramento anual feito pela SOS registrou no ano passado uma redução de 8 km na mancha em relação a 2017. Mas em 122 km – 11% de sua extensão – o rio ainda está altamente poluído. Essa mancha considerada morta vai de Itaquaquecetuba até Cabreúva.

Novas plataformas. A defesa do meio ambiente é destaque no site do Estado. A iniciativa mais recente foi o lançamento da Supercoluna Bolsonaro e o Ambiente, no dia 1.º de janeiro, como parte do projeto Supercolunas, em que editores e especialistas do jornal ajudam o leitor a mergulhar no conteúdo e entender os fatos. O tema de estreia foi mudanças climáticas. 

O portal também abriga o site Mar Sem Fim, do jornalista João Lara Mesquita, que traz notícias, entrevistas e análises sobre a área com foco no mar e nas zonas costeiras, além de documentários sobre a Antártida e unidades de conservação, entre outros temas. Em publicação feita no último dia 26, por exemplo, o jornalista analisou as indicações feitas pelo ministro Ricardo Salles para os principais postos do Ministério do Meio Ambiente. Nesta quinta-feira, 3, o tema foi a decisão do governo do Japão de retomar a caça de baleias, apesar de proibição internacional. 

O Estado também mantém três blogs sobre meio ambiente, com diferentes abordagens. Em Ambiente-se – Porque nosso planeta é um só, são tratados questões como aquecimento global, desmatamento e situação da fauna e da flora. No blog Mais Democracia, Mais Sustentabilidade, profissionais do Instituto Democracia e Sustentabilidade (IDS) abordam temas que vão da gestão da água e saneamento a energias renováveis, preservação da floresta e valorização da diversidade socioambiental brasileira. Já o Eu na Floresta – Quem são e como vivem os povos da Amazônia fala sobre a vida dos povos locais. 

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Reformas estruturantes na agenda da cobertura diária

Nos últimos anos, o ‘Estado’ debateu a necessidade de mudanças na Previdência e na carga de impostos no País

Redação, O Estado de S.Paulo

04 de janeiro de 2019 | 05h00

As reformas estruturantes sempre estiveram entre as agendas de cobertura do Estado de S. Paulo em seus 144 anos por consequência da sua tradição de defesa da livre-iniciativa e da democracia. Nos últimos anos, o Estado reforçou, por meio de reportagens de fôlego, entrevistas e séries especiais, a necessidade das reformas, como a da Previdência ou a tributária, como forma de equilibrar as finanças públicas e reduzir a intervenção do Estado na Economia.

Na série de reportagens especiais publicada em 2017 “A Reconstrução do Brasil” – posteriormente transformada em livro –, o jornal mostrou, por exemplo, a necessidade urgente da modernização do Estado, do corte de gastos públicos e até da mudança no atual sistema eleitoral como forma de recolocar o Brasil de volta no trilho do crescimento sustentado, após anos de uma verdadeira destruição dos fundamentos econômicos.

Os esquemas de corrupção fizeram com que 78% dos brasileiros afirmassem não acreditar nos políticos, segundo pesquisa do instituto Ipsos. No prefácio do livro que resultou da série, o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso traçou o seguinte diagnóstico: “A reconstrução do Estado e da economia brasileira será longa, exigirá perseverança e sentido de direção. Nenhuma sociedade se move se não souber aonde quer chegar. E se não tiver uma razoável noção dos processos que a levaram às dificuldades do tempo presente”.

Boa parte dessa tarefa de reconstruir o País passa pela derrubada do festival de benefícios concedidos a funcionários públicos que foram se acumulando ao longo dos anos, fruto de um sistema que acabou privilegiando as corporações, com enorme poder de pressão nos círculos do governo, em detrimento da população em geral. 

O que resultou disso, por exemplo, é o fato de os funcionários públicos, em média, terem salários maiores que os da iniciativa privada e aposentadorias mais generosas, com vencimentos integrais e direito às mesmas vantagens dos servidores da ativa.

Previdência. O Estado mostrou em dezenas de reportagens, entrevistas e pesquisas, a necessidade de se conseguir aprovar uma reforma da Previdência. Os cálculos não deixam dúvidas quanto à urgência dessa medida: as estimativas, segundo o ex-secretário da Previdência do Ministério da Fazenda Marcelo Caetano, são de que o governo federal desembolsará R$ 292,2 bilhões para cobrir o déficit previdenciário de 2018, sendo R$ 201,7 bilhões no Regime Geral de Previdência Social (RGPS), responsável pelas aposentadorias e pensões de segurados da iniciativa privada e de servidores públicos em municípios onde não há regime próprio; e R$ 90,5 bilhões do Regime Próprio de Previdência Social (RPPS) da União, que inclui servidores federais civis e militares.

A volta do crescimento sustentado, segundo todos os analistas, passa também pela mudança no sistema tributário. Com a série “O Nó Tributário”, também publicada em 2017, o Estado mostrou a importância dessa reforma para destravar a economia, dada a alta carga de impostos cobrada no País e o emaranhado que se tornou esse sistema. 

Injusto. Como lembrou o especialista no assunto Bernard Appy, em recente artigo publicado no jornal, o sistema tributário brasileiro consegue ser, a um só tempo, “complexo, injusto e ineficiente”. Para Appy, mesmo não sendo fácil a tarefa de mudar isso, por causa das resistências que sempre houve, é uma tarefa que precisa ser feita, porque qualquer mudança que torne o sistema mais justo e eficiente favorecerá a maioria da população e resultará no crescimento do País.

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Tentativas de censura vêm desde 1ª Guerra

Compromisso com as liberdades também marca a história do 'Estado'

Redação, O Estado de S.Paulo

04 de janeiro de 2019 | 05h00

O compromisso com as liberdades também marca a história do Estado. O jornal foi censurado no fim da 1.ª Guerra e, em seguida, na Revolução de 1924, quando os paulistas se levantaram contra o presidente Artur Bernardes. Após a morte de Julio Mesquita, seus sucessores Julio de Mesquita Filho e Francisco Mesquita também sofreram represálias no governo Getúlio Vargas. Foram presos e deportados para Portugal, após a derrota da Revolução Constitucionalista de 1932.

O Estado e o Jornal da Tarde resistiram ao Ato Institucional n.º 5 (AI-5), de 13 de dezembro de 1968, e se recusaram a fazer autocensura. Como os censores não permitiam que houvesse espaço em branco, o jornal publicou poemas, como versos de Os Lusíadas, de Camões, enquanto o JT usou receitas de bolos e doces para preencher o vazio no lugar do material cortado. A censura só acabou em 4 de janeiro de 1975, quando o Estado comemorava seus 100 anos de fundação.

Em 8 de novembro de 2018, o jornal se livrou de outro longo período de censura, agora judicial, que vigorava desde 31 de julho de 2009. O Estado estava proibido de publicar trechos da Operação Boi Barrica, com denúncias de supostas irregularidades praticadas pelo empresário Fernando Sarney, filho do ex-senador e ex-presidente José Sarney. A decisão de pôr fim à censura foi do ministro Ricardo Lewandowski, do Supremo Tribunal Federal. Foram 3.327 dias de censura determinada pelo Tribunal de Justiça do Distrito Federal e Territórios.

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