Andre Dusek/ESTADAO
Andre Dusek/ESTADAO

Uma em cada três pastas está com ministro 'tampão'

Planalto contabiliza saídas de titulares que deixaram o governo após votação a favor do impeachment, como na Integração Nacional

Murilo Rodrigues Alves, Vera Rosa e Tânia Monteiro , O Estado de S. Paulo

19 de abril de 2016 | 07h52

BRASÍLIA - A autorização para abertura do processo de impeachment da presidente Dilma Rousseff já começa a provocar uma debandada no primeiro escalão, mas o Palácio do Planalto ampliou a ofensiva para segurar ministros. Até agora, Dilma conseguiu manter cinco dos sete titulares do PMDB. Mesmo assim, passada a derrota na Câmara, o governo tem um terço dos 30 ministérios chefiado por “tampões”.

Os ministros da Saúde, Marcelo Castro, e da Ciência e Tecnologia, Celso Pansera, mantiveram-se fiéis a Dilma e foram reconduzidos aos cargos. Eles haviam deixado os postos e reassumido suas cadeiras na Câmara apenas para votar contra o impeachment. Na noite de segunda, 18, o titular dos Portos, Helder Barbalho (PMDB), estava disposto a entregar o cargo a Dilma, mas ela pediu sua ajuda e o convenceu a ficar, ao menos por enquanto. Helder é filho do senador Jader Barbalho (PMDB-PA).

O ministro de Minas e Energia, Eduardo Braga, que era líder do governo no Senado, permanecerá na equipe. “Não podemos tomar nenhuma medida de forma precipitada e não farei isso”, disse Braga. O governo não teria mais um voto com o retorno de Braga ao Senado porque a mulher dele, Sandra, também filiada ao PMDB, é sua suplente. A ministra da Agricultura, Kátia Abreu, fica por enquanto à frente da pasta, mas, se for necessário, pode reassumir sua cadeira no Senado para votar contra o impeachment.

Dilma demitiu Mauro Lopes, que era do PMDB e comandava a Aviação Civil. No plenário da Câmara, ele votou pela deposição da presidente. “Portanto, não é mais ministro do meu governo”, afirmou ela. Lopes ocupava o cargo que já foi de Eliseu Padilha, braço direito do vice-presidente Michel Temer. A nomeação dele agravou ainda mais a relação entre a presidente e o vice.

A posse de Lopes foi no mesmo dia que a do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva como chefe da Casa Civil. Desde que o Supremo Tribunal Federal suspendeu a nomeação de Lula, Eva Chiavon é quem tem assinado as decisões da Casa Civil no lugar de Jaques Wagner, transferido para o Gabinete Pessoal da Presidência. Ontem, Dilma disse esperar que o Supremo autorize Lula a assumir a pasta nesta semana.

Traição. Uma das traições que mais irritaram a presidente foi a de Gilberto Kassab (PSD), que deixou o Ministério das Cidades na sexta e teve a exoneração confirmada na segunda. Na carta de demissão, Kassab disse concordar com Dilma na necessidade de um pacto. “Defendemos com vigor a convivência e harmonia entre as diferentes posições como garantia de governabilidade”, escreveu Kassab, que negocia com Temer.

Com a deserção do PP, Gilberto Occhi deixou o cargo e Josélio de Andrade Mouro é quem assumiu interinamente o Ministério da Integração. Mouro entrou na sexta-feira, 15, depois do cancelamento da nomeação de José Rodrigues Pinheiro Dória para exercer, também interinamente, a função. Apesar de integrar o PP, Dória ficaria no posto na cota da ala governista da legenda. No mesmo dia em que foi nomeado, porém, Dória resolveu renunciar ao cargo de ministro porque o PP optou não só por abandonar a base do governo, mas também por fechar questão a favor do impeachment, punindo os dissidentes.

O Turismo foi outro que ficou sem titular depois que Henrique Alves (PMDB) saiu. No seu lugar entrou o secretário executivo, Alberto Alves. Às vésperas da Olimpíada, o Esporte está sendo chefiado por Ricardo Leyser Gonçalves, na vaga de George Hilton, que havia se desfiliado do PRB para continuar na pasta depois que a sigla decidiu romper com o governo. Leyser é do PC do B e era o responsável no governo por cuidar dos temas relativos aos Jogos Olímpicos. Nas fileiras do PT, Dilma reconduziu ontem o ministro do Desenvolvimento Agrário, Patrus Ananias, outro que havia retornado à Câmara apenas para votar contra o impeachment.

Kassab. O ex-prefeito paulistano obteve respaldo de Dilma para criar o PSD, em 2011, e retribuiu o apoio levando o novo partido para a base governista. Em 2015, foi agraciado com o Ministério das Cidades. Mas os deputados do PSD, muitos egressos do DEM, pressionaram pelo impeachment. Kassab não interveio, e pediu demissão na sexta-feira

Mauro Lopes. O deputado do PMDB mineiro aceitou assumir a Secretaria de Aviação Civil mesmo após o partido decidir que não aceitaria novas indicações por um prazo de 30 dias. Lopes permaneceu com o governo mesmo com o rompimento do partido, mas na semana passada decidiu reassumir o mandato. Acabou votando a favor do impeachment de Dilma.

Occhi. Ligado ao PP, Occhi já havia assumido a pasta de Cidades com Dilma. Após a reeleição, foi transferido para a Integração Nacional. Quando o partido decidiu romper com o governo, Occhi pediu demissão. O Planalto tentou nomear um substituto ligado à ala governista do PP, mas a nomeação de José Pinheiro Dória foi cancelada no mesmo dia  / Colaborou Luci Ribeiro

 

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