Uma durona ''cercada de meigos''

Dilma reclama de preconceito contra mulheres no poder

Leonêncio Nossa, BRASÍLIA, O Estadao de S.Paulo

11 de março de 2009 | 00h00

Em tom de desabafo, a ministra da Casa Civil, Dilma Rousseff, reclamou dos preconceitos sofridos pelas mulheres em cargos de chefia. Candidata do presidente Luiz Inácio Lula da Silva à sucessão em 2010, ela arrancou aplausos em seminário sobre mulheres ao se queixar de comentários sobre sua personalidade forte. "Em condições de poder, a mulher deixa de ser vista como objeto frágil, e isso é imperdoável", afirmou. "Aí começa a história da mulher dura. É verdade: eu sou uma mulher dura cercada de homens meigos."Para a ministra, as mulheres não podem cometer os mesmo erros que os homens cometem. Ela avaliou que só no caso do sexo masculino a determinação é vista como uma qualidade. "Eles mandam e desmandam. E são suaves e meigos", ironizou. Assessores do Planalto contam que a ministra sempre se impõe nas reuniões com os ministros Guido Mantega (Fazenda), Paulo Bernardo (Planejamento) e Henrique Meirelles (Banco Central).No discurso, a ministra avaliou que o problema do preconceito na vida pública é sofrido menos por mulheres que estão à frente de programas da área social, como saúde, meio ambiente e educação. O preconceito é maior, na sua avaliação, no caso de mulheres que comandam programas de infraestrutura. "Nós também somos capazes de atuar em áreas restritas, até agora, a homens", disse ela, citando como exemplo de cargos "restritos" os que ocupou na Secretaria de Fazenda em Porto Alegre, no Ministério de Minas na Casa Civil.No discurso, a ministra lembrou que começou a atuar na política nos anos do regime militar (1964-1985). E aproveitou para criticar a classificação do período como "ditabranda" - o termo provocou polêmica ao ser associado ao regime militar brasileiro em editorial do jornal Folha de S.Paulo. "Eu sou um produto da dura, a branda eu não conhecia", disse. "Muitos ainda chamam a ditadura de ditabranda, numa inversão absurda de um processo de prisões, torturas e mortes", completou. "É um absurdo dizer que um regime de exceção foi menos violento que outro. Não interessa se são dez, cem ou mil que morreram. E no Brasil não morreu apenas um punhado de gente."

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.