'Uma coisa é ser amigo do Alckmin; outra é ter um projeto', diz Gabriel Chalita

Deputado, que deixa PSB e migra para PMDB com promessa de disputar a Prefeitura, diz em entrevista ao 'Estado' que tem perfil igual ao de Haddad

Julia Duailibi/SÃO PAULO , O Estado de S. Paulo

07 de maio de 2011 | 16h00

Pré-candidato à Prefeitura de São Paulo, o deputado Gabriel Chalita, de saída do PSB rumo ao PMDB, admite uma aliança com PT num eventual segundo turno da eleição paulistana. "Alckmin é meu amigo e vai continuar sendo. Tenho muito respeito por ele. Mas uma coisa é ser amigo, outra coisa é fazer parte de um projeto político", disse ao Estado na sexta-feira.

 

Embora esteja mais próximo politicamente do PT, diz não ter fechado as portas para o antigo partido - Chalita pertenceu ao PSDB por quase duas décadas e foi secretário de Educação no governo Alckmin. "A gente vai dialogar muito com o PT, como posso dialogar com o PSDB. Tenho amigos no PSDB", declarou Chalita, com filiação marcada no PMDB para o próximo dia 4.

 

Por que o sr. resolveu sair do PSB e migrar para o PMDB?

Tenho uma ligação histórica com Michel Temer (vice-presidente, líder do PMDB). Quando fui eleito deputado, tive uma relação desgastante com o PSB. Saí do PSDB e fui para o PSB achando que teria espaço. Isso não aconteceu. Acho que errei indo para o PSB. Não quero permanecer neste erro.

 

Temer deu garantias de que o sr. disputará a Prefeitura?

Ele me lançou candidato a prefeito. Tive um jantar com lideranças do PMDB nesta semana, e todos estão empenhados no projeto de cuidar da cidade.

 

Mas o PMDB pode rifar o sr., como aconteceu com o PSB.

Conheço com profundidade o Temer. Acredito na palavra dele. Acho que não vai acontecer isso, não. O PMDB tem mais raízes, tem mais história.

Por outro lado, é visto como partido fisiológico, apegado ao poder e à discussão de cargos.Há críticas e elogios a todos partidos. Em todos há pessoas com imagem arranhada, com problemas. E vai encontrar gente boa. As pessoas não votam em partido. Votam em pessoas. O PMDB foi fundamental na construção da democracia.

 

Conversou com Dilma?

Conversei com muitas lideranças do PT, mas sobre isso não conversei com ela. Disse que no PSB me senti um pássaro na gaiola, queria participar e não tinha espaço. Em São Paulo, é pior ainda. Não existe partido.

Conversou com um dos pré-candidatos do PT, o ministro Fernando Haddad, sobre alianças?Almocei com ele (semana passada). Falamos de muitas coisas. Ele falou muito desse tema da novidade. Ele disse que o eleitor deve buscar esse perfil. Ele também acha que se enquadra neste perfil, aliás ele disse que somos muito parecidos: a gente tem a bandeira educacional, somos jovens, temos trajetória universitária, intelectual. Foi um almoço muito agradável.

 

Há entendimento de uma aliança com PT no segundo turno?

Acho que sim. Como apoiei Dilma e acabei me aproximando do PT, acho que a gente vai dialogar muito com o PT, como posso dialogar com PSDB. Tenho amigos no PSDB. O caminho de construção para a Prefeitura passa pela construção de alianças com vários partidos.

 

Não há constrangimento em apoiar PT contra PSDB, do qual o sr. fez parte e é próximo do líder no Estado, Geraldo Alckmin?

Alckmin é meu amigo e vai continuar sendo. Tenho muito respeito por ele. Mas uma coisa é ser amigo, outra coisa é fazer parte de um projeto político.

Não teme críticas do eleitor por ter trocado de partidos? E o risco de perder o mandato?

Quando a gente é sincero, o eleitor compreende. É muito ruim na política as maquiagens. É candidato e diz que não é. Está num partido e apoia o outro. Espero que o PSB não peça meu mandato. Tive mais votos que coeficiente eleitoral. Ajudei a eleger deputados. Mas, se pedir, tenho argumentos jurídicos

 

Como seria enfrentar Serra, caso dele dispute a Prefeitura?

Sem nenhuma vingança, gostaria de disputar com ele, debater ideias. Um dos projetos mais bonitos que pude desenvolver foi o da escola integral, que ele acabou destruindo e vendendo a imagem de que eu só cuidava dos professores ou fazia palestras de autoajuda. Não me parece que o sonho dele é ser prefeito. (O sonho de José Serra) é ser presidente.

 

Falou com Alckmin antes de decidir sobre a ida ao PMDB?

Estive com ele e disse que estava pensando em ir para o PMDB. Temos uma relação de muito respeito, afeto. Ele nunca disse ‘não vá para isso ou faça isso’. Até porque respeita as minhas opções políticas. E ele gosta muito do Temer.

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