Uma briga em família por um testamento de US$ 12,5 milhões

É a história familiar envolvendo brigas, ganância e um testamento milionário. Quando os três filhos de um rico advogado descobriram que ele tinha deixado tudo para a madrasta, entraram na justiça para conseguir invalidar o documento, argumentando que tinham sido trapaceados. Hoje, a Corte Suprema da Inglaterra concordou com eles e revogou o testamento de 7 milhões de pounds (US$ 12,5 milhões) de Richard Sherrington.?Não fiquei satisfeito ao perceber a possibilidade de que o falecido nunca tenha sabido do conteúdo do testamento ou nunca o tenha lido?, disse o juiz Gavin Lightman.Durante um processo cáustico, que durou mais de uma semana, Daliah, de 30 anos, Donna,27, e Ramon Sherrington, 21, afirmaram que a segunda mulher de seu pai, Yvonne, o havia pressionado a fazer um testamento que os deserdava sem estar totalmente ciente de seu conteúdo.Segundo eles, a assinatura no documento não era testemunho correto e que fora feita por uma filha de um casamento anterior de Yvone, Nathalie Walker, que não teria qualificação legal para isso.Yvonne Sherrington argumentou que os filhos tinham-se afastado do pai, porque o responsabilizavam pelo fim do casamento com a primeira mulher, Gloria. Ela disse que Sherrington, que tinha um escritório de advocacia no norte de Londres e uma empresa hipotecária, já havia assegurado amplos recursos para os filhos e sua primeira mulher, com seguros de vida, e tinha-lhe proposto que fizessem testamentos tornando-se herdeiros um do outro.Mas o juiz acatou os testemunhos que retratavam Sherrington ? que morreu aos 56 anos num desastre automobilístico, em outubro de 2001 ? como desencantado com seu segundo casamento, ?o maior erro da minha vida? ? ele dizia a amigos ? e com sua segunda mulher, também de 56 anos, que só estaria interessada em seu dinheiro.Testemunhas contaram no tribunal que Sherrington tornou-se deprimido e quieto por causa das tensões do relacionamento do casal, ?volátil e tempestuoso?.Yvonne garantiu, no banco das testemunhas, que tinha em seus arquivos uma carta que contradizia essa afirmação.?Embora eu tenha pedido-lhe, ela nunca mostrou essa carta e é muito provável que nunca tenha existido?, disse o juiz.Gloria Sherrington afirmou ao tribunal exatamente o contrário de sua rival: que seus filhos sempre foram próximos do pai e ele jamais concordaria em não lhes deixar nada.?Não acredito que um homem de sua experiência, um homem que amava tanto seus filhos poria o futuro deles em risco?, disse.

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