Um vencedor para cada torcida

Para tucanos, Dilma perdeu-se em números e não conseguiu comparar as gestões de FHC e Lula; para petistas, Serra não defendeu governo FHC

Julia Dualibi e Malu Delgado

06 de agosto de 2010 | 01h25

SÃO PAULO - Enquanto, de um lado, os tucanos celebravam o que consideraram ser inconsistências e imprecisões nas respostas de Dilma Rousseff (PT), os petistas, do outro, se entreolhavam e, antes de qualquer indagação de jornalistas, precipitavam-se: "Ela está indo muito bem".

 

Dilma, segundo o comando tucano, não conseguiu obter dividendos com indicadores sociais e econômicos favoráveis do governo Lula. Perdeu-se em números e usou, excessivamente, o pronome nós, sem explicar que o plural se aplicava à sua participação no governo Lula.

 

Num dos intervalos, o ex-ministro da Fazenda Antonio Palocci brincou com os jornalistas e disse que perguntaria por que a petista, até o terceiro bloco, não tinha citado o nome Lula. Se havia uma preocupação dos petistas com a possibilidade de Dilma citar sem comedimento o nome de Lula, o efeito parece ter sido o contrário. Citou de menos.

 

"Ela tentou, mas não conseguiu trazer a discussão dos governos FHC e Lula", comemorava o ex-governador de Minas Gerais Aécio Neves (PSDB). "Dilma demarcou claramente as diferenças entre os governos Fernando Henrique e Lula", comentava o senador e candidato ao governo de São Paulo, Aloizio Mercadante (PT), do outro lado da plateia.

 

O candidato do PSDB, José Serra, na avaliação dos petistas, não fez uma defesa explícita do governo FHC quando chamado por Dilma a comparar diferenças entre os dois governos. O tucano respondeu que não faz política olhando para o retrovisor.

 

O comando da campanha de Dilma avaliou Que ela foi a mais ‘castigada’ no debate, o que é natural, por ter assumido a liderança nas últimas pesquisas.

 

"Dilma se saiu muito bem, não entrou na pegadinha do Serra", afirmou o presidente do PT, José Eduardo Dutra, referindo-se ao embate entre Serra e Dilma sobre as Apaes. Esse foi considerado um dos momentos mais desfavoráveis à petista no debate.

 

O candidato questionou a petista sobre restrições impostas a crianças com deficiências sob o governo Lula. As Apaes perderam o subsídio que o Ministério da Educação dava a transporte de crianças. Isso é uma verdade. O que você diz a respeito delas não é o que o governo fez na prática", questionou Serra.

O tema das Apaes voltou à tona no terceiro bloco, quando Dilma disse que "olhando nos papéis detectou" que as associações recebiam benefícios a partir do Fundeb. "O Serra, que é muito mais experiente, trocou números de consultas por cirurgias no primeiro bloco", observou Dutra.

 

O PT comemorou o fato de Plínio de Arruda Sampaio (PSOL), o mais irônico do debate, não ter poupado críticas a Marina Silva (PV). "Marina, você virou uma ecocapitalista", disse. Para o PT, a crítica de Plínio ajuda a tirar votos de Marina, viabilizando, no futuro, uma possível vitória no primeiro turno.

 

"Acho que o Serra foi brilhante, a Dilma estava gaguejando muito", celebrou o candidato a vice na chapa do tucano, Índio da Costa (DEM). Para o presidente nacional do PSDB, Dilma exibiu uma ‘gagueira intelectual’. Durante todo o debate, a claque tucana não se continha e dava risadas após cada resposta de Dilma Rousseff.

 

A filha de Serra, Verônica, era uma das mais irônicas. Ria quando Dilma dava respostas longas e criticou quando o pai perguntou sobre segurança, saúde e educação para a candidata. "De graça, assim? Tem que fazer uma pergunta".

 

A filha de Sergio Guerra pedia ao pai para não chamar Dilma de gaga. "Ele está falando da Lady Gaga", tentou amenizar. No final do primeiro bloco, os marqueteiros do PSDB comemoravam os números das pesquisas quantitativas: Serra tinha 36 pontos contra 26 de Dilma. No terceiro bloco, Serra chegou a 50 pontos. No penúltimo bloco, Marina Silva bateu Dilma Rousseff na intenção do eleitorado de 24 a 20 pontos, chegando ao segundo lugar.

 

Tucanos mandavam orientações para os marqueteiros de Serra. O ex-governador Aécio Neves sugeriu que na questão do Luz para Todos, quando Dilma destacou o investimento federal, Serra deveria lembrar que o programa só existe graças aos impostos estaduais.

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