Um novo termômetro do ajuste fiscal

ANÁLISE: Fábio Alves

O Estado de S.Paulo

08 de março de 2015 | 02h03

Já se foi o tempo em que os investidores reagiam apenas a declarações mais fortes do ministro da Fazenda ou do presidente do Banco Central: hoje, o que dizem ou o que decidem os presidentes da Câmara, Eduardo Cunha, e do Senado, Renan Calheiros, têm uma influência igual ou, às vezes, maior sobre a cotação do dólar, os juros futuros e os preços das ações na Bolsa.

Diante da fragilidade da articulação do governo Dilma Rousseff e de sua incapacidade de conseguir um firme apoio da base no Congresso, o interesse do mercado financeiro no ajuste fiscal saiu do foco técnico - com ênfase em quanto e onde o governo pode cortar despesas e investimentos ou quais impostos pode elevar - para o político.

E o termômetro do ajuste fiscal não está mais no Ministério da Fazenda, e sim no Congresso.

A eleição de Cunha para comandar a Câmara diminuiu a confiança de analistas e investidores quanto à probabilidade de aprovação das medidas provisórias do ajuste fiscal e, por tabela, da obtenção da meta de superávit primário de 1,2% do Produto Interno Bruto (PIB) em 2015.

Tanto que, no auge do otimismo com o pacote anunciado pelo ministro Joaquim Levy, o dólar chegou a cair para R$ 2,55 em 22 de janeiro. Desde então, a moeda americana não para de subir, influenciada em boa parte pela turbulência entre o governo e o PMDB, que comanda as duas Casas no Congresso.

Um dia após Renan devolver à Presidência da República a MP da desoneração, o dólar disparou e chegou a beirar os R$ 3.

Os investidores dizem que a dependência da política econômica nas mãos de poucos atores políticos e de autoridades do governo não é boa para a credibilidade das instituições no Brasil. E as agências internacionais de classificação de risco, em visita ao País desde o início da semana, levam em conta não somente os números de endividamento, do superávit primário ou do crescimento do PIB, mas também a solidez das instituições.

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