Um moderado que agrada aos petistas e ao mercado
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Um moderado que agrada aos petistas e ao mercado

Nelson Barbosa vai herdar ministério que perdeu influência e poder e comandar reformulação do PAC, vitrine do governo

Adriana Fernandes, O Estado de S. Paulo

27 Novembro 2014 | 03h00


Brasília - Não era o ministério dos sonhos para o economista Nelson Barbosa. Desde que saiu do governo, em maio de 2013, teve presença garantida em todas as listas de apostas dos mais cotados para substituir Guido Mantega no comando da Fazenda. Ficou com o Planejamento. Mas sua chegada ao primeiro escalão da Esplanada deve marcar uma espécie de ressurreição da pasta que perdeu influência e poder nas mãos de Miriam Belchior, no primeiro mandato da presidente Dilma Rousseff. 

Na arrumação da casa, o novo ministro vai comandar a reformulação do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), vitrine do governo Lula que não deslanchou como se esperava com Dilma. Na dobradinha com Joaquim Levy no Ministério da Fazenda, Barbosa fará o ajuste fiscal necessário na direção da recuperação da transparência da política fiscal – cuja perda de credibilidade com o uso de manobras contábeis o empurrou para fora do governo, após sucessivos embates com o secretário do Tesouro Nacional, Arno Augustin. Um desafeto declarado que Barbosa quer ver longe da Esplanada dos Ministérios. 

Quem espera atritos com Levy (os dois são parecidos no temperamento forte e impositivo) podem se surpreender, dizem os amigos mais próximos. Polarização e divergências devem ocorrer, mas a aposta é de que vão editar uma parceria para tentar recolocar a economia brasileira nos trilhos. Uma das razões é o fato de, entre os economistas mais próximos do PT, Barbosa ser dos mais respeitados pelo mercado financeiro, do qual se aproximou nos últimos tempos.

Transparência. Barbosa defende uma estratégia que resulte em geração de superávits primários sem interrupções para manter a estabilidade fiscal. Para ele, esse processo será gradual, com sinais claros no curto, médio e longo prazos. Na definição das diretrizes da política fiscal para 2015, deve defender a redução da meta fiscal fixada pela equipe entre 2% e 2,5% do Produto Interno Bruto (PIB). Em nome da transparência, prefere o anúncio do superávit “possível” para 2015. 

Com perfil formulador de políticas, o ex-secretário executivo de Mantega tem hoje pronto um conjunto de propostas para o enfrentamento dos principais desafios macroeconômicos do Brasil para os próximos quatro anos – trabalho feito ao longo do um ano e meio em que ficou fora da equipe econômica de Dilma. É uma lista de 12 medidas fiscais, numa alusão aos trabalhos de Hércules. 

Outros trunfos de Barbosa, que atuou no governo desde a gestão Lula, são o conhecimento acurado da máquina do governo e a capacidade aprendida de negociar com o Congresso. / A.F.

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