Um militar ferido e outro desaparecido na Operação Tapuru

Dois militares brasileiros foram as primeiras vítimas da ação combinada do Exército, da Marinha e da Aeronáutica durante a Operação Tapuru, que está sendo realizada na Amazônia, na fronteira com a Colômbia e o Peru.O terceiro-sargento do Exército, Manoel de Jesus Alencar, desapareceu enquanto fazia patrulha pelo rio Negro, e o cabo da Marinha Gilberto Santos recebeu um tiro no rio Solimões, durante uma perseguição, provavelmente a barcos clandestinos, e está hospitalizado em Manaus, fora de perigo. Os militares estão exercendo um maior controle na região e reprimindo traficantes, integrantes da Forças Armadas Revolucionárias Colombianas (Farc) e bandidos comuns. ?Essa operação comprova que é necessário reforçar o patrulhamento na região e promover outras manobras conjuntas para garantir a efetiva presença do Estado e de tropas militares na área?, declarou pelo telefone ao Estado o ministro da Defesa, Geraldo Quintão, ressaltando que, quando as pessoas verificam que a fronteira está patrulhada por navios, aviões e tropas do Exército, vão pensar duas vezes antes de entrar no Brasil.?É um elemento inibidor?, acentuou o ministro, que, nesta sexta-feira, estará em Tefé, ao lado dos três comandantes militares, acompanhando a operação de perto. Apesar do término do exercício estar previsto para este sábado, véspera do dia das eleições na Colômbia, o desmonte da operação é demorado, o que significará a manutenção dos militares, aviões e navios nos portos de Içá e Japurá, porta de entrada de colombianos, por mais alguns dias.O ministro Quintão defendeu a necessidade de mais recursos para as Forças Armadas, a fim de que se viabilize, ainda neste ano, a realização de uma nova operação na área. A segunda operação combinada foi cancelada por causa dos cortes, mas o ministro quer aproveitar os resultados positivos da Operação Tapuru e a comprovação da necessidade de aumento do patrulhamento na região para garantir a realização de uma nova ação militar na região do rio Javari, entre o Amazonas e o Acre.?Estamos muito preocupados com essa fronteira?, comentou o ministro, referindo-se aos problemas que são enfrentados na área. Desde o início de sua gestão, ele tem falado da necessidade de aumento de tropas e meios na Amazônia. O ministro anunciou, por exemplo, que a Marinha está transferindo para Manaus um Grupamento de Fuzileiros Navais.Segundo ele, neste momento, mais importante do que reforçar os 22.000 homens que estão distribuídos por toda a Amazônia, são recursos para ampliar a pista de pouso de São Gabriel da Cachoeira (AM), construir um novo pelotão de fronteira em Tiriós, bem ao norte, e conseguir mais navios e aviões para dar mais mobilidade às tropas. Depois de lembrar que a Amazônia representa 5,3 milhões de quilômetros quadrados, o ministro Quintão afirmou: ?É uma região que temos de tomar conta e defender?.Ele afirma que, com a inauguração do Sistema de Vigilância da Amazônia (Sivam), em julho, o trabalho das Forças Armadas será facilitado, porque haverá controle do espaço aéreo e a defesa do País ganhará em eficiência e qualidade.A Operação Tapuru cobre 1.500 quilômetros na fronteira e envolve 4.300 homens das três Forças, sob o comando do Exército, que é a tropa predominante na área, ao custo de R$ 4,5 milhões. Os militares fotografam pistas clandestinas, garimpos e embarcações suspeitas, e um centro de inteligência foi montado para acompanhar todo o exercício dos militares.O comandante da operação combinada, general Valdézio Guilherme de Figueiredo, ao comentar ?a guerra? que levou ao desaparecimento do sargento e o tiro que levou o cabo, afirmou: ?Essa agressão foi provavelmente de elementos colombianos. Houve a agressão e a reação. Não sabemos se houve mortos do lado de lá, mas sabemos que não houve mortos do lado de cá?.O general ainda tem esperanças de localizar o sargento Manoel de Jesus Alencar, que caiu de um barco no rio. Os incidentes foram comunicados por notas oficiais do Comando Militar da Amazônia (CMA). Problemas naquela região não são novidade para as Forças Armadas. Há três meses, um grupo de guerrilheiros invadiu uma aldeia dos índios Macus, que se refugiaram no posto do Exército, em Tabatinga, a 1.400 quilômetros de Manaus, quando soldados brasileiros trocaram tiros com colombianos que estavam em um barco e apreenderam uma cartilha das Farc.Agora, o primeiro incidente ocorreu às 20h15 da última terça-feira, na localidade de Belém do Solimões, município de Tabatinga (a cerca de 1.000 quilômetros de Manaus), quando o cabo Gilberto José de Souza Santos foi ferido à bala durante perseguição a uma embarcação suspeita no rio Solimões. O segundo incidente foi com o sargento Manoel Alencar, perto da ilha de Flores, no município de São Gabriel da Cachoeira (a cerca de 850 quilômetros de Manaus). Ele caiu do barco, possivelmente em uma troca de tiros durante uma patrulha pelo rio Negro. Dois inquéritos policiais militares foram abertos para apurar os fatos.

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