Um mês de horário eleitoral: Dilma cola em Lula e Serra explora saúde e escândalos

As campanhas dos presidenciáveis mais bem colocados nas pesquisas desde o início do horário político, em 17 de agosto, Dilma Rousseff (PT), José Serra (PSDB), Marina Silva (PV) e Plínio de Arruda Sampaio (PSOL) encerram o primeiro mês no ar com diferenças de conteúdo em relação às primeiras inserções.

Rodrigo Alvares, Estadão.com.br

17 de setembro de 2010 | 19h38

 

Leia também:

 

link Confira a página especial da cobertura do horário eleitoral

 

O tucano dedicou quase todo seu tempo para falar de sua experiência e de projetos para a área da saúde. Já a petista procurou intensificar a imagem de "escolhida" pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Marina falou na catástrofe iminente pela qual o planeta vai passar caso não mude sua atitude em relação ao meio ambiente e Plínio "nocauteou" Dilma e Serra em uma luta de boxe.

 

Leia abaixo como os candidatos têm apresentado suas propostas:

 

Dilma Rousseff (PT)

 

Os primeiros programas apresentaram alto investimento na produção. A petista procurou intensificar a imagem de "escolhida" pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva. A primeira inserção da noite trouxe um jogral com Lula, cada um num extremo do País. Mostrou Dilma no Chuí (RS) e o presidente em Porto Velho (RO). Lula também apareceu elogiando a ex-ministra. O programa também apresentou um resumo da vida de Lula, misturando-a com a da ministra, até quando os dois se juntam no governo.

 

No segundo programa, que começa em um metrô, dois atores afirmam que "com Lula e Dilma, social e econômico viraram face da mesma moeda". Destaque para a animação usada para ilustrar os efeitos da "articulação" entre programas do governo Lula - como o Luz para Todos e o Bolsa Família - para unir o Brasil. Lula afirmou que "para crescer rapidamente, o País precisava crescer pela base". Ênfase para o mote "Mudou aqui".

 

Entre suas prioridades de governo, prometeu criar mais 500 UPAs, embora apenas 42 das primeiras 500 que Lula garantiu entregar até o fim de seu governo estejam prontas. Em uma sequência, foram apresentados comícios em capitais e cidades grandes pelo País, mas apenas onde Dilma foi acompanhada de Lula - com exceção de Florianópolis. O comício em Natal, que parou boa parte da cidade, não foi sequer mencionado.

 

Em outro vídeo, depois de mostrar escola de ensino integral em Recife, é apresentado depoimento de uma menina que supostamente estudava no local. Entretanto, na hora de ir para o colégio, garota saiu de casa a pé, sem transporte escolar.

 

Desenhos animados explicaram de forma didática como o aumento do salário mínimo e a criação do Bolsa Família influíram no crescimento do mercado de trabalho e, consequentemente, na criação de empregos de carteira assinada.

 

No início de setembro, depois do escândalo das violações na Receita Federal, os programas começaram a focar obras pelo País. Dilma falou que "com o Minha Casa, Minha Vida estamos realizando o sonho da casa própria pra milhares de famílias. Com o PAC 2, esse trabalho vai crescer. Serão mais dois milhões de moradias em todo o Brasil".

 

Em inserção veiculada em 7 de setembro, o presidente Lula atacou a estratégia de José Serra em atacar Dilma por causa do episódio da Receita Federal. "Infelizmente, nosso adversário, candidato da turma do contra, que torce o nariz contra tudo que o povo brasileiro conquistou nos últimos anos, resolveu partir para os ataques pessoais e para a baixaria. Tentar atingir, com mentiras e calúnias, uma mulher da qualidade de Dilma Rousseff é praticar um crime contra o Brasil. E, em especial, contra a mulher brasileira", disse.

 

Em 14 de setembro, sem citar as denúncias contra a ex-ministra da Casa Civil Erenice Guerra, a propaganda voltou a mostrar a biografia da petista, encadeada por comentários e elogios de Lula e do ex-governador do Rio Grande do Sul Olívio Dutra (PT).

 

No dia 16, vídeo voltou a apostar na comparação entre os governos do PSDB e PT no comando do Palácio do Planalto, estratégia adotada à exaustão pelos petistas no início na campanha eleitoral, em julho. A peça listou, em forma de gráficos, avanços do governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva em salário mínimo, emprego e produção. Inserção afirmou que durante o governo do PSDB - "nos tempos de Fernando Henrique Cardoso e de José Serra" - as palavras mais presentes no País eram arrocho, crise, inflação, FMI e estagnação. "Com Lula e Dilma, houve a mudança e outras palavras ganharam força, como emprego, soberania, ascensão social", destacou o locutor.

 

Frases

 

"Para que o Brasil siga mudando, a gente tem que fazer muita coisa pela Saúde, pela Segurança, pelo emprego e pela moradia. Mas tudo, tudo mesmo, passa Educação. Só vamos garantir um futuro melhor com igualdade de oportunidades quando pudermos garantir Educação de qualidade para todos"

 

"Quero fazer com cuidado de mãe o que precisa ser feito. Esse é o meu sonho e com seu apoio sei que vou realizá-lo"

 

"O Brasil avançou porque soube derrubar velhos tabus e construir novos caminhos. Por exemplo, provamos que é possível crescer e ao mesmo tempo distribuir renda"

 

 

"Há obras importantes em todas as regiões. O emprego cresce sem parar e a qualidade de vida da nossa população melhora cada vez mais. Esse era o nosso compromisso, e nós o honramos. O importante agora é ampliar ainda mais esse trabalho"

 

"O nosso projeto de governo é do tamanho do Brasil. Um país que ainda tem muitas desigualdades, mas que tem também um enorme potencial"

 

"Há oito anos, quando comecei a trabalhar ao lado do presidente Lula, assumimos o maior compromisso que um governo pode assumir com seu povo: mudar o País. O Brasil mudou, ainda há muito a fazer, e por isso quero ser presidente do Brasil, para dar continuidade a esse trabalho"

 

José Serra (PSDB)

 

O tucano usou quase todo seu tempo nos primeiros programas para falar de sua experiência e de projetos para a área da Saúde. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva também foi personagem cativo.

 

O jingle "Quando o Lula da Silva sair, é o Zé que eu quero lá, pro Brasil seguir em frente sai o Silva e entra o Zé" lembra o eleitor que o petista vai deixar o Planalto, mas não diz o que o tucano faria no lugar do presidente. A favela construída no estúdio deu uma impressão artificial à música.

 

Após ser citado no jingle de campanha do tucano, sua imagem foi exibida no horário reservado a Serra, que apareceu lado a lado com Lula em duas ocasiões sob a voz do narrador: "Serra e Lula, dois homens de história, dois líderes experientes". Se por um lado o presidente tem sido requisitado, por outro a presidenciável apoiada por ele, Dilma Rousseff (PT), não escapa das críticas. No mesmo programa, narrador reforça: "Serra é vivência que a Dilma não tem". Apesar do protesto de aliados, repetiu a abertura no programa seguinte.

 

Nos outros programas, campanha repetiu depoimentos de pessoas que queriam agradecer o tucano pelo o que ele fez na Saúde, mas o candidato não diz como vai implementar promessas como o Mãe Brasileira e a retomada dos mutirões. Insistir na ideia de que mutirões resolverão todos os problemas do Pais, sem explicar a sua eficácia.

 

Parou de mostrar e mencionar o presidente e ressaltou sua biografia como aluno e professor durante o regime militar. Prometeu criar o "Protec", um ProUni do ensino técnico. Ao final, um ator falou que "o filme da Dilma não é o filme do Brasil".

 

No fim de agosto, começou a mudar estratégia e passou a atacar Dilma e o PT de forma mais clara. "A Dilma tá se achando. Já está brigando com Lula", diz o narrador, ao fim do vídeo. Segundo o texto, ela já "divide cargos como se estivesse eleita" e mostra matérias na imprensa dizendo que José Dirceu e Antônio Palocci "já estão de olho" para voltar ao governo caso a petista seja eleita.

 

Depois da favela de estúdio, programas passaram a mostrar Serra "no meio do povão". "Serra é assim: Uma cara simples, autêntico, não tem aquele nariz empinado", falou o locutor. O Serra, para mim, é humilde", disse uma senhora.

 

Na noite de 31 de agosto, mostrou depoimentos de pessoas inseridas no "maior programa de urbanização de favelas da América Latina". A inserção enumerou uma série de iniciativas do tucano nas áreas de moradia popular. A Dilma nunca veio aqui, só apareceu agora, na véspera da eleição, para dizer que fez", disse uma moradora da comunidade. No final da propaganda, uma tarja vermelha estampada na tela serviu de crítica à atuação do governo federal na área da saúde: "Com Dilma, saúde não funciona."

 

Em 2 de setembro, programa começou a bater mais forte em Dilma Rousseff e no PT por causa da quebra de sigilos de pessoas ligadas ao PSDB e da filha de Serra. "Mais uma vez, adversários de José Serra tentam fazer uma armação para prejudicá-lo", disse o apresentador. Foram elencados casos como o das eleições de 1989, vencida por Fernando Collor: "A poucos dias da eleição, Collor apela e até a filha de Lula na campanha. Uma baixaria". Vídeo mostrou apoio de Collor a Dilma para a eleição deste ano.

 

Também foram citados em sequência os casos dos aloprados (2006), da quebra do sigilo do caseiro Francenildo e o mensalão. Serra usou boa parte do tempo para falar sobre o caso: "Eu tô indignado com isso. Isso não é política, não. Isso é sujeira. Olha, eu sempre quis ser presidente, me preparei a vida inteira para isso."

 

Nos outros dias, amenizou as críticas, mas seguiu no mesmo tom. "Acho que o eleitor tem o direito de saber outras coisas, por exemplo, a história de cada um a sua biografia. Eu não cheguei na vida pública agora, não, nem foi um padrinho que me trouxe aqui", afirmou Serra. Vídeo também apresentou novo jingle: "Com Serra eu vou".

 

Fim do programa de 7 de setembro atacou propagandas de Dilma nas quais a petista aparece em hospitais "não funcionam" e creche que estaria "abandonada". Destaque para um vídeo na biblioteca de Brasília, que está fechada há fechada há seis meses, mas onde a campanha de Dilma teria feito gravações.

 

Na inserção do dia 9, disse que "os suspeitos são ligados ao PT e diante de tudo isso, até agora, a campanha e o governo do PT debocham das vitimas e até insinuam que elas são culpadas". Ao elencar biografia do tucano, narrador disse que Serra foi o "ministro do Real", cargo que nunca existiu. Ênfase na gestão da prefeitura e no governo de São Paulo não menciona que Serra não encerrou nenhum dos mandatos para os quais foi eleito.

 

A denúncia contra o filho de Erenice Guerra, braço direito de Dilma Rousseff (PT) tomou conta da propaganda tucana a partir do dia 11. Ao fim do programa da noite, o narrador falou que falou que "Zé Dirceu veio primeiro, Dilma veio depois e deixou a Erenice no seu lugar. É isso que você quer para o Brasil? Você conhece mesmo essa turma? O que você sabe sobre ela?". Também foram citadas afirmações de Dirceu durante uma palestra na Bahia nesta semana, segundo as quais o PT terá mais poder com Dilma do que tinha com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, além de imagens da transmissão do cargo de Dilma por Dirceu, que a chamou de "camarada de armas".

 

Frases

 

"Sem exagero, a maior queixa das pessoas hoje, no Brasil inteiro, é o atendimento de Saúde. Onde eu vou tem gente reclamando: falta de médico, fila para consulta, fila para exame, problema para conseguir hospital, dificuldade para o remédio"

 

"Nenhum país do mundo vai para a frente sem investir em Educação. Os pais querem ver seus filhos estudando em uma boa escola, com ensino de qualidade, com professor valorizado, motivado, bem pago"

 

"O Brasil precisa de duas coisas: mais empregos e nunca deixar de olhar para as famílias mais pobres. E eu vou dizer: para mim, obra não vale pelo cimento, concreto, tijolo. Para mim, o que vale é se a obra vai gerar emprego pro trabalhador e melhorar a vida de quem mais precisa"

 

"Olha, a minha vida mostra que eu não sou de parar nada que não esteja andando. Para mim, não importa quem começou, nem quem é o autor da ideia"

 

Tem gente que chega para mim e diz: 'Ô Serra, algumas dessas coisas que você mostra na TV 'cê' fez em São Paulo. Elas são muito boas, mas será que dá para fazer no Brasil?'. E eu respondo: 'É lógico, claro que dá, mas tem que saber como fazer"

 

"Um presidente da República precisa mostrar liderança e agir com a própria cabeça. Não dá pra ficar consultando ou pedindo autorização o tempo todo"

 

"Eu jamais aceitaria ser presidente a qualquer preço, fazendo baixarias, atingindo os filhos dos outros. A disputa política tem de ter limites. Respeitar a democracia é proteger o cidadão comum contra os poderosos. Lembra do Francenildo? Se continuar assim, todos nós seremos Francenildos"

 

Marina Silva (PV)

 

Primeiro programa destacou a emergência de uma mudança radical no comportamento ambiental. Entretanto, o tom alarmista, com frases como "Se nada for feito imediatamente, os oceanos vão subir 7 metros, ameaçando cidades como o Rio de Janeiro, Recife e Florianópolis" fez com que, em 1min23 no ar, Marina aparecesse em apenas 5 segundos. Depois de ser criticada até por aliados, a candidata abriu o vídeo seguinte com depoimentos de pessoas sobre Meio Ambiente, Saúde e Educação. Lembrou que foi ministra do Meio Ambiente durante o governo Lula.

 

Em 21/08, um grupo de pessoas contou o seu histórico - incluindo a participação no governo Lula - em primeira pessoa. O formato, entrecortado a cada frase da biografia de Marina, mostrou-se mais interessante para o telespectador. Apesar da mudança significativa em relação aos primeiros programas, Marina continua a aparecer pouco e sem apresentar propostas aos eleitores.

 

Três dias depois, apareceu conversando com jovens sobre Educação em uma favela de verdade: "Alguém quer dar uma ideia?", questionou a candidata. "No ano passado, tipo assim, eu ia hoje para a escola e já amanhã não tinha aula, porque os professores faltavam muito", respondeu um garoto. Mas ao invés de mostrar propostas para a área, Marina falou: "Nossa campanha nasceu de um sonho, e nada mais triste do que ver jovens sem sonhos, e eu sei que só a Educação pode fazer isso".

 

Falou sobre a área nas inserções seguintes, ao falar que "o Brasil tem uma das piores notas de Educação do mundo. Esse é o maior de todos os nossos atrasos. Eu fui uma criança que não entrou na escola na hora certa, só aprendi a ler aos 16 anos". Com desenhos animados, ilustrou sua biografia na área.

 

No fim de agosto, Marina subiu o tom contra as candidaturas de Dilma Rousseff e José Serra neste programa: "Fazem tantas promessas que acabam virando duas novelas: numa, o Brasil é todo azul, e na outra é cor de rosa. Mas cá entre nós: no Brasil real, onde a gente vive, a coisa é muito diferente. Tem fila no hospital, tem criança sem escola, tem assaltante armado na esquina. Todos os anos, na época das chuvas, as pessoas morrem e milhares de famílias ficam desabrigadas. Eles dizem que é acidente, "culpa da natureza", mas é descaso, falta de respeito.

 

A candidata criticou o comportamento do PT em relação à CPMF, mas recentemente declarou que se alinhou ao partido na decisão de manter o imposto na votação no Senado no fim de 2007. Embora ministra à época, seu suplente Sibá Machado (PT-AC) votou pela manutenção do encargo.

 

Marina abriu programa do dia 7 de setembro falando sobre o desperdício de comida, água, lixo reciclável e tempo perdido no trânsito. "Mas o pior de todos os desperdícios é a corrupção. É um absurdo pagar por uma ambulância o valor de três. Construir pontes onde não tem estrada ou pagar por exames de saúde que não foram feitos. Ainda temos o desperdício dos governos ineficientes e inchados", disse.

 

Nas inserções seguintes, defendeu que a disputa eleitoral deste ano seja levada para o segundo turno e criticou o inchaço e a ineficiência do governo federal, prometendo não criar mais ministérios e órgãos estatais. A candidata criticou ainda o embate eleitoral, no lugar de um "debate de propostas". "Em vez da briga, só o diálogo pode levar o Brasil para frente", pregou.

 

Frases

 

"Nos últimos 50 anos, a Terra mudou mais do que em todas as gerações anteriores da humanidade "

 

"Sou candidata a presidente do Brasil pelo PV. Meu nome é Marina Silva"

 

"Nossa campanha nasceu de um sonho, e nada mais triste do que ver jovens sem sonhos, e eu sei que só a Educação pode fazer isso. Para nós, esse é o caminho mais importante. Nessa campanha, fomos os primeiros a propor o ensino integral"

 

"Eu já vivi o pior e o melhor da Saúde no Brasil. Já fui atendida como indigente e já esperei horas e horas nas filas do Sistema Único de Saúde. Mas também já tive os melhores médicos que ajudaram na minha recuperação. Meu compromisso com a Saúde não é político, é pessoal"

 

"Vamos conversar aqui nesse minutinho? Os dois candidatos que ocupam o tempo da TV quase todo fazem uma campanha de chantagem emocional, quase como se o povo fosse menino pronto para ser enganado"

 

Plínio de Arruda Sampaio (PSOL)

 

Primeiro programa mostrou uma paródia de luta de boxe entre Dilma Rousseff (PT) e José Serra (PSDB) para ilustrar como os dois candidatos têm as mesmas propostas. "Tem pessoas que banqueiro ajuda. Para todas as outras, tem o PSOL. No programa seguinte, acusou Dilma e Serra de não terem compromisso com quem tem "necessidade desta terra", mas não deixou claro o que pretende fazer caso seja eleito

 

No dia 24 de agosto, Plínio ironizou o antigo bordão "oPTei", utilizado pelo PT nas décadas de 80 e 90: "Em 1964, nós optamos por resistir à ditadura. Em 1980, por construir um partido do povo. Em 1989, por apresentar ao País uma alternativa de esquerda", relata o narrador. Mostrando uma imagem de Roseana Sarney com uma camiseta do PT, diz: "Em 2002, optamos pela mudança. Em 2010, o PSOL apresenta um projeto diferente do que a família Sarney deseja para o Brasil".

 

Alguns programas falaram da votação da emenda 458, a "MP da Grilagem". Plínio disse: "O Lula entregou 67 milhões de hectares para os grileiros e as empresas internacionais. O PV votou a favor. A direita, obviamente votou a favor. O PT também votou a favor. O PSOL votou contra, porque o PSOL quer manter e restabelecer a floresta como um direito seu".

 

No início de setembro, Plínio passou a focar nas desigualdades do País. No dia 2 de setembro, Programa destacou índices em relação aos negros: "No Brasil, 70% da população dos que vivem abaixo da linha da pobreza são negros. Não há capitalismo sem racismo". Candidato a vice, Hamilton Assis falou que "a criminalização da pobreza, dos movimentos sociais e da população negra deste País é inaceitável. Reforma agrária, investimentos na educação, saúde moradia e geração de emprego são fundamentais para combater a pobreza".

 

No programa do dia 7 de setembro, foi apresentado depoimento do caseiro Francenildo Santos Costa, que ficou conhecido no escândalo que derrubou Antonio Palocci do Ministério da Fazenda em 2006. Francenildo criticou o fato de ele ter sido citado por Serra: "Quando eu vi o Serra falando sobre o sigilo... Pra mim, ele tá sendo oportunista. Achei errado, porque ele está usando a minha honestidade". O caseiro declarou voto a Plínio de Arruda Sampaio.

 

Plínio também defendeu a auditoria da dívida pública e o investimento em saúde pública. "Ganhar dinheiro investindo no câncer do próximo é algo que eu considero fim do mundo. Saúde não é mercadoria, é direito do homem e da mulher", afirmou.

 

Frases

 

"Precisamos de uma legislação que garanta o financiamento público de campanhas. É isso que impede a corrupção"

 

"Os bispos do Brasil acham um absurdo essas fazendas de mais de mil hectares, por isso eles querem fazer um plebiscito para que o povo diga que quer a divisão das grandes propriedades a fim de que a população do campo possa viver com dignidade"

 

"Neste País, de tucanos e petistas, há um muro que separa você de seus direitos. Tucanos e petistas adoram fazer alianças com pessoas que construíram este muro. Nós do PSOL, não. Nós só fazemos alianças com os amigos do povo"

 

"Nós do PSOL estamos aqui nessa eleição para resgatar um sonho. Um sonho de igualdade. Um sonho de liberdade. Um sonho de democracia. Isso é o PSOL. A candidatura tem um sentido pleno de lutar pra que este sonho se torne realidade"

 

"Quantos Francenildos estão hoje aí lá fora, com seus sigilos quebrados, seus direitos desrespeitados. Isso acontece quando a política vira vale-tudo, sem ideologia, sem moralidade"

 

"Ganhar dinheiro investindo no câncer do próximo é algo que eu considero fim do mundo"

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.