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Dida Sampaio/Estadão
Dida Sampaio/Estadão

Um mês após iniciar discussões da reforma administrativa, Dilma não procurou PMDB

Presidente afirmou que vai anunciar nesta quarta corte de dez pastas, mas vice e senadores até agora não foram ouvidos

Andreza Matais e Talita Fernandes , O Estado de S. Paulo

20 de setembro de 2015 | 20h53

BRASÍLIA - Na semana em que a presidente Dilma Rousseff prometeu anunciar quais serão os dez dos 39 ministérios que irá cortar, dirigentes do PMDB no Senado dizem não ter sido procurados para discutir o tema. A colegas de partido, o presidente da Casa, Renan Calheiros (PMDB-AL), afirmou que não foi chamado a conversar e, se for, não pretende negociar indicações.

Renan disse a peemedebistas que os atuais ministros do partido são seus amigos e não irá entrar na discussão de redução de ministérios por essa razão. Argumentou ainda que não pretende mais fazer movimentos para ajudar o governo a sair da crise, por considerá-los inúteis.

Nem mesmo o vice-presidente Michel Temer, que retornou ao Brasil após passar toda a semana passada em viagem oficial a Rússia e Polônia, havia sido convidado para discutir a reforma até ontem à noite, segundo dirigentes do partido.

Temer convidou lideranças do PMDB para uma conversa na noite desta segunda-feira, 21. O partido tem discutido internamente qual o melhor momento de deixar o governo, pauta que ganha mais adeptos na legenda a cada dia. 

Na segunda-feira passada, o governo anunciou medidas – entre cortes de gastos e aumento de impostos – para tentar cobrir o rombo no Orçamento, mas não mencionou o corte de ministérios – o Planalto informou que iria esperar Temer voltar ao País para falar sobre reforma.

No domingo, 20, a presidente se reuniu com ao menos quatro ministros no Palácio da Alvorada: Ricardo Berzoini (Comunicações), Luís Inácio Adams (Advogacia-Geral da União), Nelson Barbosa (Planejamento) e Miguel Rossetto (Secretaria-Geral da Presidência).

Kátia Abreu. “Não estamos sabendo absolutamente nada da reforma e da fusão de ministérios. Nem a bancada do partido nem o líder no Senado foram consultados”, afirmou o líder do PMDB no Senado, Eunício Oliveira (CE). Até agora, o único a tratar do tema, “entre outros assuntos”, foi o líder do PMDB na Câmara, Leonardo Picciani (RJ). Ele conversou, na semana passada, com a ministra da Agricultura, Kátia Abreu.

A ideia do governo é indicar ao Ministério um nome que agrade à bancada na Casa. “Só na especulação não nos cabe fazer nenhum comentário. Vamos aguardar informações mais precisas”, disse Picciani.

O fato de Dilma ter escalado Kátia Abreu como interlocutora do partido no governo em detrimento de Temer, que é presidente da legenda, transformou-se em um dos focos de insatisfação no PMDB. Dirigentes da sigla dizem que ela é “cristã nova” no PMDB – ingressou há menos de dois anos no partido – e não seria a pessoa adequada para fazer essa negociação.

“Se tiver que falar com alguém, que a presidente fale com o Renan ou com o Temer, que é vice-presidente da República e sucessor natural da Dilma”, disse um peemedebista. Segundo ele, o discurso da ministra em defesa do governo está cada vez mais distante do entoado pelo partido.

O PMDB tem cinco ministérios: Kátia Abreu (Agricultura), Eduardo Braga (Minas e Energia), Henrique Eduardo Alves (Turismo), Helder Barbalho (Pesca), Edinho Araújo (Portos) e Eliseu Padilha (Aviação Civil). A expectativa é de que Aviação Civil e Portos sejam incorporados ao Ministério dos Transportes. Turismo deve ser fundido com outra pasta. / COLABOROU LEONENCIO NOSSA

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