Fabio Motta/Estadão
Fabio Motta/Estadão

‘Um governo, apenas com seu partido, não vai a lugar nenhum’, diz Ricardo Barros

Candidato avulso ao comando da Câmara, o ex-ministro da Saúde afirma que PP deseja fazer parte da base do governo Jair Bolsonaro

Entrevista com

Ricardo Barros (PP-PR), deputado federal e candidato avulso à presidência da Câmara

Felipe Frazão, O Estado de S.Paulo

29 de janeiro de 2019 | 05h00

BRASÍLIA - Ex-ministro da Saúde no governo Michel Temer, o deputado Ricardo Barros (PP-PR), candidato avulso à presidência da Câmara, diz que seu partido deseja fazer parte da base do presidente Jair Bolsonaro por ter DNA governista. “Temos um presidencialismo de coalizão, e um governo, apenas com o seu partido, não vai a lugar nenhum”, afirma Barros. Tesoureiro nacional do PP, o ex-ministro tenta convencer legendas do Centrão e da esquerda a se oporem ao que considera um empoderamento do DEM e do atual presidente da Casa, Rodrigo Maia (DEM-RJ), a quem chama de “candidato chapa-branca”.

A candidatura do sr. é simpática ao governo Bolsonaro? 

Não podemos ser um puxadinho do Palácio, votar só medida provisória e a pauta do governo. As pautas da sociedade têm de ser votadas também, mas não queremos atrapalhar.

O sr. abriu diálogo com o Planalto? 

Eu informei, mas não pedi apoio, nem pedi licença. 

O PP é ou será base do governo Bolsonaro? 

Eu diria que o PP quer ser base do governo Bolsonaro. Mas o governo tem que querer o PP também.

E o governo querer o PP significa o quê? 

O DNA de nossos parlamentares é ser governo. O PP foi base e eu fui vice-líder de todos os governos. Temos um presidencialismo de coalizão, e um governo, apenas com o seu partido, não vai a lugar nenhum. Precisa construir a coalizão. Como o presidente Bolsonaro estabeleceu um novo modelo de relação com o Congresso, ainda não sabemos na prática como isso vai se dar.

O Planalto demonstrou se o PP participará do governo? 

Não me compete fazer essas conversas.

O presidente diz que não vai interferir na eleição. 

Não houve um comando geral para que o governo todo trabalhasse para um candidato. O Palácio está atendo, e os ministros têm trabalhado para os seus partidos.

O PSL, partido de Bolsonaro, diz que o apoio deles a Maia não é apoio do governo. Dá para dissociar? 

Maia é o candidato chapa-branca. É ele o candidato do governo. Embora não esteja expresso, ninguém tem dúvida de que algum compromisso foi feito no sentido de privilegiar as pautas do governo. O acerto foi feito na sala do Eunício (Oliveira, presidente do Senado), no dia da posse. 

De que maneira a disputa no Senado influencia na Câmara? 

O DEM tem três ministérios, a presidência da Câmara e quer a do Senado também. Os demais partidos devem avaliar o quanto interessa que o Democratas se empodere dessa forma. Na janela de troca de partidos, o Maia não deu refresco aos aliados, foi para cima, para crescer a bancada dele, que saiu de 22 para 41 deputados. Daqui a pouco ele vai engolir o PSL.

Qual é a plataforma da sua candidatura? 

O Judiciário está usurpando as prerrogativas do Parlamento. Não é culpa deles. Nós não enfrentamos determinados temas, e eles decidem. A Câmara precisa votar as reformas, aprovar a pauta do (ministro da Justiça e Segurança Pública, Sérgio) Moro. Mas não queremos que o Judiciário se transforme num poder acima dos demais. Tem que ter uma modulação nesse assunto.

Sua candidatura está atrelada a um projeto político futuro, como o governo do Paraná ou o Palácio do Planalto? 

Minha candidatura se atém a esse momento político. Fui candidato a prefeito de Maringá (PR), estava em último lugar, e ganhei por erro dos adversários. É possível, em função da movimentação do Maia. Quando levou o apoio do PSL, ele desarrumou muito, perdeu o apoio das esquerdas, gerou instabilidade e aí começou a ter uma oportunidade. Ele estava mais vencedor antes do que depois desse apoio. Há uma pressão muito grande nos deputados do PSL para não votar na reeleição do Maia. Eles foram eleitos num movimento de mudança, não estão confortáveis.

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