Um fómula matemática prevê quanto durará um casamento

Umas poucas linhas num gráfico permitem ao matemático John M. Gottman prever o que acontecerá com a maioria dos casamentos. Esse é o resultado de um estudo de 20 anos, envolvendo mais de 600 casais, que provou ser possível determinar acuradamente quando marido e mulher interagem e então reduzir essas observações a uma fórmula matemática. No resultado da conta, que casamento será bem sucedido e qual fracassará.Num relatório feito para o encontro nacional da Associação Americana para o Progresso de Ciência, Gottman explica que estudos feitos por seu Instituto de Pesquisa do Relacionamento e a Universidade de Washington mostram que o modo como os casais resolvem suas diferenças é um fator chave para prever-se se um casamento irá durar.Os métodos usados pelos casais para a solução de conflitos podem ser expressos matematicamente ou em um simples gráfico. ?Com efeito, a matemática agora achou um lugar no amor e no casamento?, ele diz.Para colher as informações, uma equipe de pesquisadores observou vídeos de casais em entrevistas com conselheiros matrimoniais para saber como maridos e mulheres respondem um ao outro. E estabeleceu que há três tipos de casamentos estáveis:O primeiro, quando marido e mulher evitam rotineiramente os conflitos. Quando surgir uma diferença de opinião, diz Gottman, ?eles jamais discutirão. Ouvirão um ao outro, mas não tentarão persuadir ninguém.? Esses casais, que ele chama de evasivos podem ser sem emoção e distantes, mas formam casamentos duradouros.Um segundo tipo é o relacionamento volátil, ?como dois advogados num tribunal?, segundo Gottman. ?Eles podem discutir por causa da queda de um chapéu.? Esses casamentos tendem a durar mesmo quando as brigas são freqüentes e apaixonadas.O terceiro tipo de casamento estável é chamado de casal anfiançador. Eles se escutam, respeitam a opinião um do outro e apenas ocasionalmente discutem. ?Eles escolhem os motivos pelos quais vão brigar.?Os problemas no casamento surgem quando os casais são uma mistura de personalidades que se enredam ao tentar resolver conflitos. Por exemplo, casamentos em que o marido que é um contendor volátil casado com uma mulher evasiva ou um casal que foge dos desacordos podem ter vida curta.?Casais como esses normalmente estão se encaminhando para o divórcio?, ele diz.Os pesquisadores tabulam matematicamente as interações matrimoniais, não pelo que é dito mas como é dito - como a linguagem corporal e facial que está por trás. Emoções como raiva, rispidez e hostilidade obtêm um número negativo, enquanto bom humor cuidado em falar amorosamente do parceiro ganham ponto positivo.Quando esses pontos recebem valores e são colocados num gráfico, cria-se uma linha que pode descer abaixo ou ir acima de um ponto neutro. Segundo Gottman, estudos subsequentes demostraram que o sistema funciona. Um ?efeito negativo em crescente?, isto é, uma linha descendente abaixo do ponto neutro prediz que um casal se divorciará dentro de 5,6 anos após o casamento.Uma descida mais leve sugere um ?distanciamento emocional? e diz que haverá divórcio após 16,2 anos depois do casamento. Gráficos com linhas ascendentes indicam casamentos que durarão.Usando os gráficos, Gottman diz que é possível ajudar a estabilizar alguns casamentos. Por exemplo, há pouca esperança para um casal no qual a mulher é evasiva e o marido viceja nas discussões ardentes. Mas se ela puder ser ensinada a responder a seus ataques verbais, enquanto ele aprende a moderar o tom, eles poderão encontrar um meio termo feliz que os manterá juntos.Gottman afirma que em casamentos em que estes conselho foram aplicados, 65% dos casais permaneceram junto por pelo menos mais um ano. Mas a pesquisa, segundo ele, ainda está em seu estágio inicial.

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