Um drama familiar que virou assunto diplomático e foi às ruas

Em Washington e no Rio, mobilizações opostas por Sean

Pedro Dantas, RIO, O Estadao de S.Paulo

16 de março de 2009 | 00h00

Enquanto amigos e parentes integrantes do grupo BringSeanHome realizaram anteontem um protesto em frente à Casa Branca, em Washington, pela volta aos Estados Unidos do garoto Sean Goldman, de 8 anos, no Rio de Janeiro uma passeata de amigos do padrasto pedia ontem a permanência do menino no Brasil. Centenas de pessoas caminharam pela orla carioca, de Copacabana até o Leblon, na zona sul do Rio, com camisas brancas e bandeiras do Brasil nas mãos. Os manifestantes adotaram um discurso "patriótico" na defesa da permanência de Sean.O caso do garoto virou assunto diplomático. Sean é filho do americano David Goldman e da brasileira Bruna Bianchi. Os dois se casaram em 1999 e tiveram Sean em 2000, nos Estados Unidos.Quatro anos depois Bruna voltou ao Brasil com o menino e pediu o divórcio. No ano passado ela morreu, após complicações no parto da filha com o segundo marido, o advogado João Paulo Lins e Silva. No sábado, os manifestantes de Washington pediam a volta de Sean para morar com o pai biológico, com o argumento de que há mais de 50 crianças americanas no Brasil na mesma situação. No Brasil, aos gritos de "Sean quer ficar" e "João Paulo superpai", o discurso foi de que a questão envolve a soberania nacional. Segundo a Polícia Militar, havia cerca de 300 pessoas na passeata."Esperamos que a nossa Justiça proteja uma criança brasileira.Vamos provar que o Brasil é soberano. Minha irmã deve estar no céu torcendo por nós", disse Luca Bianchi, irmão de Bruna.Uma das faixas criticava a Advocacia-Geral da União com a frase "AGU quer expulsar criança brasileira". A pedido da Secretaria Especial dos Direitos Humanos, a AGU move uma ação na 16ª Vara Federal do Rio de Janeiro pedindo a restituição da criança ao pai biológico."Era uma das melhores amigas de Bruna até ela morrer após o parto da filha com o João Paulo. Ontem, eu estive com Sean e vi que ele tenta brincar e se divertir. No entanto, está aflito com a possibilidade de deixar o País, pois para ele João Paulo é seu pai", disse a atriz Nívea Stelmann. O pai adotivo não participou da manifestação.

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