Um dia depois, senador provoca e ouve cobranças

No dia seguinte à absolvição, Renan Calheiros tentou normalizar o clima no Senado, onde chegou às 16h20 e presidiu sessão por 30 minutos. Mas não teve sossego. Assim que entrou no plenário, ocupava a tribuna o senador Cristovam Buarque (PDT-DF). Bastou Renan sentar-se na cadeira de presidente para que Cristovam o encarasse e pedisse não a licença defendida por governistas ou as férias sugeridas por Roseana Sarney (PMDB-MA), mas sua renúncia.''''Não é possível continuarmos nos próximos meses com essa situação. Temos de encontrar um caminho. O Senado tem de retomar sua credibilidade", discursou Cristovam. Em aparte, Jarbas Vasconcelos (PMDB-PE) disse que a Casa cometeu um vexame ao absolver seu presidente. E pediu que o Senado não deixe que a mediocridade vença. "Ela (a mediocridade) pode ter seus momentos de vitória, de apogeu, mas não vai prevalecer. Só vai prevalecer se não houver resistência, se a gente abaixar a cabeça e achar que ontem (anteontem) foi um dia final." Renan ouviu o aparte e esperou o fim da fala de Cristóvam para fazer uma provocação: "Quero dizer que a democracia é bela porque permite momentos como este. Mas seu tempo está encerrado", respondeu o presidente do Senado, impávido.Pela manhã, ele acordou mais tarde e passou parte do dia atendendo a telefonemas, segundo assessores. Na saída do Congresso, na quarta-feira, disse que iria à igreja rezar. No meio do caminho, porém, teria abortado a idéia e preferido ir pedir a bênção ao senador José Sarney (PMDB-AP), tido como grande patrono de sua vitória, e à sua filha Roseana. ANA PAULA SCINOCCA e ROSA COSTA

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