Um dia após vaias, Dilma se reúne com prefeitos em busca de aproximação

Presidente tenta melhorar a articulação política do governo em momento de perda de popularidade

Rafael Moraes Moura , Agência Estado

11 de julho de 2013 | 16h41

Brasília - Um dia após anunciar na Marcha dos Prefeitos a destinação de R$ 3 bilhões a municípios e, mesmo assim, ser vaiada durante o evento em Brasília por parte dos administradores municipais, a presidente Dilma Rousseff se reuniu nesta quinta-feira, 11, pela manhã, com prefeitos no Palácio do Planalto para tentar uma reaproximação. Ao distensionar a relação com as prefeituras, Dilma busca angariar apoio e melhorar a articulação política do seu governo, em um momento em que é confrontada com perda de popularidade, baixo crescimento econômico e protestos nas ruas.

De acordo com o presidente da Confederação Nacional de Municípios (CNM), Paulo Ziulkoski, a presidente prometeu fazer reuniões esporádicas com representantes de prefeitos, de três a quatro vezes por ano. Ontem, Dilma anunciou um pacote que inclui o pagamento de R$ 3 bilhões em duas parcelas para aliviar as dificuldades dos municípios em despesas de custeio. A presidente também prometeu repasse de R$ 5,5 bilhões para a construção de unidades de pronto atendimento e postos de saúde.

"Essa relação que se estabelece agora vai distensionar, vai flexibilizar e isso vai permitir que os próprios prefeitos e municípios tenham uma concepção e encaminhamento melhor. Não vamos ter ilusão de que vamos resolver tudo em um ano ou dois, vamos tentar encaminhar questões objetivas", disse Ziulkoski a jornalistas, que acredita em "aprofundar a parceria com o governo federal".

Para a ministra-chefe da Secretaria de Relações Institucionais, Ideli Salvatti, a reunião serviu para reafirmar o compromisso da presidente Dilma em "ir ao encontro das necessidades da população brasileira". A audiência com Ziulkoski e prefeitos durou uma hora e meia.

"As necessidades da população brasileira são na maioria atendidas através dos municípios, das prefeituras. (Queremos) Dar continuidade, estreitando essa relação entre governo federal e governos municipais, manter uma relação e uma negociação permanente, até porque é impossível resolver tudo ao mesmo tempo", disse Ideli.

Vaias. As vaias à presidente Dilma começaram quando os prefeitos perceberam que a presidente encerraria seu discurso ontem sem citar a questão do Fundo de Participação dos Municípios (FPM). Dilma chegou a afirmar que "não tem milagre" na administração pública.

Questionado por jornalistas se haveria a audiência com a Dilma, mesmo sem as vaias de ontem, Ziulkoski respondeu que "sim". "Já havia (a intenção de) rearticular essa relação federativa inclusive com a presença da presidenta", disse.

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