Um dia após troca de farpas, Lula evita falar de CPI e sucessão

Presidente e FHC entraram em confronto por causa do sigilo dos cartões; briga antecipou debate da sucessão

Leonencio Nossa, da Agência Estado, e Angela Lacerda, de O Estado de S. Paulo,

27 de março de 2008 | 12h42

Um dia após a troca de farpas com o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, o presidente  Luiz Inácio Lula da Silva  evitou comentar nesta quinta-feira, 27, temas nacionais. Ao ser questionado sobre a  CPI dos Cartões e de declarações feitas por ele, na última quarta, de que fará o seu sucessor, o presidente desconversou e disse que continuará até amanhã em Recife e que terá tempo para discutir questões internas com os jornalistas.  Veja também:  Ouça a íntegra do discurso irritado de Lula  IMAGENS: Os momentos de 'amor e ódio' de FHC e Lula  ENQUETE: A CPI dos Cartões deve quebrar sigilo de Lula e FHC?  Entenda a crise dos cartões corporativos  FHC cobra dados de cartão de Lula, que reage e diz que fará sucessor Relação, já conflituosa, azedou com mensalão Em sessão marcada por bate-boca, CPI rejeita convocação de Dilma PSDB pede apuração de vazamento sobre dossiê  Lula participa de evento com o presidente da Venezuela, Hugo Chávez e, segundo ele, não seria justo neste momento, comentar assuntos como PAC, Medidas Provisórias (MPs) e CPI. Chávez embarcou em seguida para São Luiz (MA), onde se encontrará com o governador Jackson Lago (PDT).  A operação de blindagem da ministra-chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff, na CPI dos Cartões na última quarta-feira, 27, e o confronto direto entre Lula e FHC anteciparam o debate sobre as eleições em 2010. Lula e FHC protagonizaram uma queda-de-braço em torno da quebra de sigilo dos cartões da Presidência.  No Recife, Lula reagiu à atitude de FHC, que abriu o sigilo de seus gastos, e à tentativa frustrada da oposição de convocar Dilma para depor na CPI. "A oposição pensa que vai eleger o (meu) sucessor, mas pode tirar o cavalinho da chuva porque vamos fazer a sucessão para continuar governando este país", afirmou em discurso, ao lado da ministra, sua principal opção para sucedê-lo em 2010.  Essa é a primeira vez, desde o episódio de violação do sigilo do caseiro Francenildo, em 2006, que acabou derrubando o ministro da Fazenda, Antonio Palocci, que um personagem-chave do governo Lula aparece envolvido em um escândalo de vazamento de informação. Segundo reportagem publicada pela revista Veja, o suposto dossiê sobre os gastos de FHC e sua família teriam partido de órgão ligado à pasta que Dilma comanda. A ministra nega envolvimento e abriu sindicância para apurar a violação. FHC, por sua vez, aproveitou o clima em Brasília para cobrar de Lula que siga seu exemplo e também autorize a abertura dos gastos da Presidência durante sua gestão. "Se eu fosse o presidente Lula, eu diria: 'venham ver o que eu fiz com o dinheiro, como é que foi gasto, não tem problema nenhum. Abre, mostra, é melhor?'", afirmou, após participar de conferência na Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp) sobre agências reguladoras. "Não é preciso fazer dessa questão um cavalo de batalha." Também na CPI dos Cartões, marcada por muito bate-boca e discussões acaloradas, a líder do PT no Senado, Ideli Salvatti (SC), deixou claro que a leitura do Planalto sobre o debate em torno dos gastos da Presidência é de que a convocação de Dilma tem por objetivo minar os planos do governo para lançá-la candidata à sucessão de Lula. "Pelo que ela (ministra) representa hoje e p elo o que pode representar em 2010", afirmou.

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