Dida Sampaio/Estadão
Dida Sampaio/Estadão

Um dia após saída de Moro, Bolsonaro se reúne com aliado cotado para a vaga do ministro

Presidente participa de encontro com aliados, entre eles o ministro da Secretaria-Geral da Presidência, Jorge Oliveira

Camila Turtelli e Cristiane Barbieri, O Estado de S.Paulo

25 de abril de 2020 | 12h26

BRASÍLIA E SÃO PAULO - Um dia depois da demissão do ministro da Justiça, Sérgio Moro, o presidente Jair Bolsonaro se reúne na manhã deste sábado, 25, no Palácio da Alvorada, com aliados. Entre eles o ministro da Secretaria-Geral da Presidência, Jorge Oliveira, um dos cotados para o cargo.

Segundo o deputado Otoni de Paula (PSC-RJ), que esteve com o presidente um pouco antes da reunião, a conversa foi para "discutir o futuro" do governo. “Foi só um café-da-manhã com o presidente. Falamos sobre o futuro e sobre os próximos passos. Foi só um papo mesmo”, disse o deputado, um dos principais defensores de Bolsonaro no Congresso.

De Paula disse que é provável que Jorge seja mesmo o novo chefe da pasta. “Ele é alguém da altíssima confiança do presidente e seria um ótimo quadro. Torcemos para que seja ele”, disse o deputado.

Também foram à residência oficial da Presidência o secretário de assuntos fundiários do Ministério da Agricultura, Nabhan Garcia, o secretário de Comunicação Social, Fábio Wajngarten, o ministro do Gabinete de Segurança Institucional (GSI), Augusto Heleno, o deputado Hélio Lopes (PSL-RJ), além do senador Flávio Bolsonaro (Republicanos-RJ), filho do presidente.

Ao anunciar sua demissão ontem, Moro acusou o presidente de tentar interferir na Polícia Federal e cobrar acesso a relatórios de inteligência da corporação. Bolsonaro negou. Troca de mensagens obtidas pelo Estado, porém, mostram que o presidente citou investigações sobre deputados bolsonaristas como justificativa para demitir o agora ex-diretor da PF, Maurício Valeixo.

Após ter a conversa exibida na noite de ontem, Bolsonaro postou nas redes sociais mensagem que destaca o apoio dado a Moro no ano passado, quando conversas particulares do ex-juiz da Lava Jato com procuradores da operação foram divulgadas pelo site The Intercept Brasil. O caso foi batizado de Vaza Jato.

"A VazaJato começou em junho de 2019. Foram vazamentos sistemáticos de conversas de Sérgio Moro com membros do MPF (Ministério Público Federal). Buscavam anular processos e acabar com a reputação do ex-juiz. Em julho, PT e PDT pediram prisão dele. Em setembro, cobravam o STF. Bolsonaro, no desfile do dia 7, fez isso", diz o texto, publicado com um foto do presidente abraçando Moro. Nela, Bolsonaro usa a faixa presidencial.

Meses após o vazamento, seis pessoas foram presas pela PF acusadas de acessar ilegalmente os telefones de autoridades.

Moro respondeu à publicação do presidente em seu Twitter. “Sobre reclamação na rede social do Sr.Presidente quanto à suposta ingratidão:também apoiei o PR quando ele foi injustamente atacado.Mas preservar a PF de interferência política é uma questão institucional,de Estadode Direito,e não de relacionamento pessoal”, afirmou Moro.

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