ANDRE DUSEK|ESTADÃO
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Um dia após conselho manter processo, Cunha abre discussão sobre comissões da Câmara

Presidente da Casa reúne líderes partidários para definir distribuição de colegiados; um deles, a CCJ, pode interferir em processo contra peemedebista

Julia Lindner e Daiene Cardoso, O Estado de S. Paulo

02 de março de 2016 | 11h18

Horas antes de o Supremo Tribunal Federal começar a analisar denúncia na qual é acusado de receber propina do esquema de corrupção na Petrobrás, o presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), discute com líderes partidários a formação de comissões permanentes da Casa. O encontro acontece no gabinete do peemedebista. Enquanto alguns líderes querem definir a distribuição das comissões hoje, outros preferem aguardar a "janela" para a troca de partidos, sem perda de mandato, que será finalizada na semana que vem.

A definição das comissões ganha mais importância no andamento dos trabalhos na Casa depois de o Conselho de Ética ter decidido manter o processo por quebra de decoro parlamentar contra Cunha. Antes, o próprio peemedebista havia afirmado que a definição das comissões poderia ficar para depois do julgamento do recurso da Câmara que questiona o rito definido pelo Supremo Tribunal Federal para análise do pedido de impeachment da presidente Dilma Rousseff.

As comissões da Câmara são cobiçadas pelos partidos pela capacidade de ditar a pauta e o andamento dos trabalhos da Casa. Na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ), por exemplo, aguarda julgamento um recurso apresentado pelo deputado Carlos Marun (PMDB-MS) no fim do ano passado, pedindo a anulação do parecer preliminar do Conselho de Ética que deu andamento às investigações contra Cunha. Quando forem retomados os trabalhos na CCJ, a apreciação do recurso terá prioridade. Se aprovado, pode provocar novo recuo do processo contra o presidente da Câmara.

No início da madrugada desta quarta-feira, o Conselho de Ética aprovou parecer prévio pela continuidade do processo. A sessão terminou por volta da uma da manhã desta quarta-feira. O relatório do deputado Marcos Rogério foi aprovado por 11 votos a 10 contra. O voto de desempate veio do presidente do conselho, José Carlos Araújo (PSD-BA).

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