Um convite para o caseiro virar político

PSOL tenta convencer Nildo a disputar uma cadeira na Câmara dos Deputados e confrontar Palocci, a quem não conseguiu derrotar na Justiça

Rosa Costa / BRASÍLIA - O Estado de S.Paulo

11 de junho de 2010 | 00h01

Realidade. Nildo tornou-se conhecido quando revelou que, o então ministro, Antonio Palocci frequentava a mansão do Lago Sul para partilha de dinheiro e festas.

 

Diante da ascensão do deputado Antonio Palocci (PT-SP) no núcleo de campanha da pré-candidata petista Dilma Rousseff, o PSOL pressiona o caseiro Francenildo dos Santos Costa a se lançar candidato a deputado. Nildo, como é conhecido, filiou-se ao partido no fim de outubro e desde então tem sido cauteloso com relação ao convite que recebeu do secretário-geral da legenda, Enrique Morales.

 

O caseiro diz que ainda está pensando no convite, sempre tendo em conta que uma resposta favorável mudaria sua rotina e até a imagem que – acredita – a maioria das pessoas tem dele. "É complicado, é difícil", avalia. "Por um lado anima, mas isso não estava nos meus planos."

 

Caseiro da mansão do Lago Sul usada por Palocci seus amigos da chamada República de Ribeirão Preto, à época em que era titular do Ministério da Fazenda, Nildo tornou-se conhecido quando, em entrevista ao Estado em março de 2006, revelou que o então ministro frequentava a casa, usada para partilha de dinheiro e festas.

 

Em represália, assessores ligados a Palocci violaram sua conta na Caixa Econômica Federal, criando uma situação que obrigou o ministro a renunciar ao cargo. Desde essa época, o caseiro mantém a família fazendo "bico", já que não conseguiu mais ter um emprego fixo. Nesse período, voltou a estudar e, aos 28 anos, está perto de concluir o segundo grau.

 

Supremo. Enrique Morales diz que teve a ideia de lançá-lo candidato em agosto último quando, por 5 votos a 4, o Supremo Tribunal Federal (STF) decidiu impedir a abertura de uma ação para investigar o envolvimento de Palocci na quebra do sigilo da conta de Nildo. "Foi um resultado apertado para um cidadão que foi ministro contra um caseiro", lembra o dirigente do PSOL. "E me veio a ideia na cabeça de deixar os eleitores de Brasília opinarem sobre o resultado numa eleição."

 

Morales conta que, se Nildo aceitar a candidatura, a bandeira de sua campanha já está pronta. Será: "Esse (o julgamento do STF) eles ganharam, agora decidam vocês."

 

O secretário-geral elogia sua cautela com relação ao convite e ao consequente financiamento da campanha. "Se fosse outro, teria pego a candidatura rápido, nem teria vacilado, mas estou convencido de que Nildo não fará nada que o deixe inseguro."

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