FERNANDO PRIAMO/ESTADÃO
FERNANDO PRIAMO/ESTADÃO

Um ano após facada, médico que operou Bolsonaro ainda responde a ‘teorias conspiratórias’

Cirurgião da Santa Casa, Luiz Henrique Borsato é questionado sobre ausência de sangue aparente após o então candidato à Presidência receber uma facada no abdômen

Matheus Andrade, Especial para o Estado

06 de setembro de 2019 | 05h00

JUIZ DE FORA (MG) – Enquanto boa parte do Brasil se preparava para o feriado de 7 de setembro de 2018, um trauma no abdômen na região central de Juiz de Fora mudaria a vida de muitos. No caso de Luiz Henrique Borsato, cirurgião da Santa Casa de Misericórdia de plantão naquela tarde, seria travada uma corrida contra o tempo.

Reconhecido como o “médico que salvou Jair Bolsonaro” da facada desferida por Adélio Bispo – que está preso desde então–, Borsato destaca a rapidez e a eficiência que beneficiaram o atual presidente. “A primeira hora após o acidente é muito importante. A medida em que o tempo vai passando, o paciente vai se tornando cada vez mais grave”, disse ao Estado. O atentado a Bolsonaro completa um ano hoje.

O trajeto entre a Rua Halfeld, local do atentado, e a Santa Casa foi percorrido em pouco tempo, e em cerca de dez minutos, Bolsonaro já recebia os primeiros procedimentos que salvaram sua vida. “Estávamos no centro cirúrgico na hora, e já havíamos realizados outras cirurgias no dia. Ele foi levado para a equipe de médicos emergencistas, que realizaram o primeiro socorro rápido, e fizeram a tomografia”, diz Borsato, que faz questão de recordar o trabalho de todos os envolvidos.

A hemorragia era um risco real para Bolsonaro, que perdeu quase um terço do volume comum de sangue, necessitando de quatro bolsas de reposição. “Ele perdeu entre 1,5L e 2L de sangue, isso pois conseguimos intervir e parar o sangramento. É claro que, quanto mais perto de um hospital com estrutura de socorro, o resultado será melhor.”

No primeiro contato com o paciente, Borsato descreve que “ele estava confuso e se queixava de dor, não falou mais nada”. No dia seguinte, antes de ser transferido para o hospital Albert Einstein, em São Paulo, Bolsonaro agradeceu ao cirurgião por tudo o que havia sido feito.

Questionamento comum é o fato de não ter havido sangue aparente após a facada. O cirurgião disse estar acostumado a responder sobre o tema, e não se incomoda com as teorias conspiratórias que envolvem seu trabalho. “Não é um sangramento como se vê em televisão, que fica aquela roda de sangue. O que sangrará é para dentro do abdômen. Ele poderia ter perdido um volume muito maior, e não seria exteriorizado para o corpo”, afirma. “Se não fosse uma figura pública, ninguém falaria isso”. 

Separando o que considera “ato político” do “lado médico”, Borsato não acredita que as desinformações tenham efeitos negativos, e destaca que “nossa vida cotidiana, no último ano, continua a mesma”. Para ele, tudo faz parte do campo político, não sobre sua atuação técnica. “As pessoas são livres para terem suas opiniões”.

No caso da cirurgia de hérnia, que será realizada domingo, a quarta no abdômen de Bolsonaro, Borsato afirma que, em algum momento, a mesma intervenção provavelmente seria realizada. “Todo paciente submetido a uma cirurgia abdominal tem o risco de desenvolver hérnia.”

 

Tudo o que sabemos sobre:
Jair BolsonaroLuiz Henrique Borsato

Encontrou algum erro? Entre em contato

Tendências:

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.