Último foragido da Operação Lava Jato, irmão de ex-ministro se entrega à PF

Último foragido da Operação Lava Jato, irmão de ex-ministro se entrega à PF

Adarico Negromonte Filho seria responsável pelo transporte do dinheiro e pelos saques para o pagamento das propinas no esquema de corrupção na Petrobrás

Julio Cesar Lima, Especial para O Estado de S. Paulo

24 de novembro de 2014 | 12h25

CURITIBA - O irmão do ex-ministro das Cidades Mario Negromonte, Adarico Negromonte Filho, se apresentou na manhã desta segunda-feira, 24, na Superintendência da Polícia Federal, em Curitiba (PR). Adarico era o último dos foragidos da sétima fase da Operação Lava Jato, que culminou na prisão de 25 pessoas, entre elas dirigentes de grandes empreiteiras.  

Onze deles já foram soltos por ter expirado o prazo das prisões temporárias, mas 13 continuam presos, incluindo o ex-diretor da Petrobrás Renato Duque. A advogada de Adarico, Joyce Roysen, disse à imprensa que já fez um pedido de revogação da prisão temporária.

Adarico Negromonte Filho é suspeito de formação de quadrilha e corrupção ativa. Segundo a PF, Adarico seria“mula” do esquema de lavagem de dinheiro do doleiro Alberto Youssef e do ex-diretor de Abastecimento da Petrobrás Paulo Roberto Costa. O irmão do ex-ministro foi citado em um grupo de pessoas que era responsável pelo transporte do dinheiro e pelos saques em espécie para pagamento das propinas. Eles também atuavam como uma espécie de delivery de dólares, segundo a Procuradoria da República.

Investigações da PF sugerem que Adarico é subordinado a Youssef, um dos operadores do esquema de corrupção na Petrobrás e lavagem de dinheiro que teria movimentado R$ 10 bilhões. Seu irmão comandou a pasta das Cidades no governo Dilma Rousseff.

O juiz Sérgio Moro, da Justiça do Paraná, determinou a prisão temporária (cinco dias) de Adarico Negromonte. Segundo investigadores, contudo, há dois meses, ele não era localizado.

O nome do irmão do ex-ministro de Cidades, conhecido como Maringá, está registrado em um dos 32 telefones apreendidos com o doleiro, em março deste ano, quando Youssef foi preso em São Luís (MA). São ao todo 34 trocas de ligação e mensagens com Youssef, alvo dos grampos.

Os autos da Lava Jato mostra a foto do irmão do ex-ministro ao lado da observação: “Transporte de dinheiro em espécie. Obs: irmão do ex-ministro Mário Negromonte.”

Em documentos apreendidos na sede de uma das empresas de Youssef, a GFD Investimentos - escritório de negócios do grupo em São Paulo - foi encontrada uma tabela de contabilidade com referências a “transferências” com o nome Maringá à frente. Para a PF, são os valores movimentados pelos transportadores e suas participações nos negócios.

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