UGT, por influência do PPS, fica ausente da festa

As divergências político-partidárias dentro das centrais sindicais impediram que a Conferência Nacional da Classe Trabalhadora (Conclat), realizada ontem no Estádio do Pacaembu, na capital paulista, se transformasse em um ato explícito pró Dilma Rousseff, a pré-candidata do governo Lula à Presidência da República. Embora os organizadores tenham festejado a unidade das centrais, o movimento não foi unânime.

Marcelo Rehder/SÃO PAULO - O Estado de S.Paulo

02 de junho de 2010 | 00h01

 

Sob a alegação de que a Conclat seria usada como palanque para fazer campanha em favor da pré-candidata do governo, militantes do PPS e do DEM na União Geral dos Trabalhadores (UGT), presidida por Ricardo Patah, articularam e conseguiram evitar que a central participasse do evento.

 

Para desespero da direção da UGT, a corrente que apoia a candidatura do tucano José Serra saiu vitoriosa de uma plenária que decidiu pela não participação da central na conferência. Foi a única baixa entre as seis centrais reconhecidas pelo Ministério do Trabalho.

 

Mas as divisões começaram com a posição da Central Única dos Trabalhadores (CUT), que insistia na ida do presidente Lula e de Dilma Rousseff ao evento. A CUT trabalhou por isso até o fim, mas as divergências entra as centrais acabaram por minar a articulação do presidente da entidade, Arthur Henrique.

 

“Nem na Força Sindical havia unidade para trazer a Dilma”, disse o presidente da central, Paulo Pereira da Silva, o Paulinho. “A CUT recuou dessa posição e conseguimos fazer um evento puramente sindical”.

 

Para Artur Henrique, da CUT, o fato de a UGT ter ficado de fora não significa que houve racha no movimento sindical. “Somos cinco centrais que reunidas representamos 95% dos trabalhadores associados. A UGT representa só 5%”.

 

O presidente da CUT também afirmou que a unanimidade do movimento sindical não quer o retrocesso, referindo-se à volta do PSDB ao governo federal. “Agora, quem vai ser apoiado pelas centrais, cada uma tem autonomia e vai discutir nas suas instâncias”.

 

Sobrou até para o prefeito Gilberto Kassab (DEM), aliado político de Serra. Sindicalistas se queixaram de que o prefeito havia prometido não cobrar nada pelo uso do Pacaembu, mas no final tiveram de pagar R$ 130 mil.

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